sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

É preciso ter espírito

   Há quem ache que se chega a essa dimensão graças a uns complementos (bebíveis) muito discutíveis.

     A designação está aí, não porque essas bebidas tenham, nos seus líquidos, entidades sobrenaturais capazes de incentivar os bebedores a revelarem a sua dimensão mais invisível, mas porque contêm álcool etílico (obtido pelo processo de destilação).
     Ora, falar no "espírito" do vinho (para designar o álcool etílico) ou de outras bebidas alcoólicas é questão pacífica, quando bem escrita e com o devido acento. Contudo, adjetivar a partir do "espírito" tem mais do que se lhe diga e, por certo, com eventual perda de qualidade quando o resultado é o seguinte:

"Vinhos mal acompanhados" é o que se impõe dizer. (FOTO VO)

      Esrito (nome) não se confunde com o adjetivo (espirituosas), nem a natureza esdrúxula da intensidade silábica da primeira palavra se revê na característica grave da segunda (conforme se prova no sublinhado a marcar as sílabas salientes em cada termo).

     Com escrita mais correta, talvez houvesse mais esrito, mais graça espirituosa. Siga-se a seta pelos vinhos, porque pelas outras não há qualidade que lhes valha.