quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Obrigado, RAP!

     Com o agradecimento devido à OC, também, por me ter feito chegar aos olhos (porque de leitura se trata) a última crónica de Ricardo Araújo Pereira (RAP, sem que de música se fale).

        Estava eu a ler a dita cuja tão contentinho - porque de Linguística não deixa de ser (mesmo que em registo cómico) -, e eis senão quando sou abalroado pela bombástica novidade: "... já quase ninguém se chama Vítor".
       Se do "vós" pouco se pode argumentar quanto ao desuso (mais do que evidente), do Vítor nem sei que diga! Vítor Pereira, com desgosto, vai deixar de treinar e comentar futebol, para não falar de um outro que nem vai mais apitar ou arbitrar! E Vítor Oliveira (não eu), no momento também a treinar lá para os lados de Portimão, está aqui está a fugir para África! É certo que Vítor Baía já não defende as balizas do Futebol Clube do Porto, mas não deixa de ser por aí muito badalado à conta de outras eventuais aspirações. Ainda desiste! E o Chefe Vítor Sobral?! Larga a cozinha. Até Vítor Norte vai deixar o teatro, com a tragédia anunciada! Para isto, muito deve ter contribuído Vítor Gaspar, com uma subida tão brutal nos impostos que nenhum paizinho nem nenhuma mãezinha de juízo quiseram dar tal nome a um seu descendente. Resta ao Senhor Padre Vítor Melícias rezar, a bem do bom nome que já foi de Papa e de Santo.
     Segundo o RAP, estou em desuso. Estou aqui estou tal igual (como diria Mia Couto) a arcaísmo. Bem... pior seria se o meu nome fosse grafado com 'c' (em verdade vos digo que nada tem a ver com o Acordo Ortográfico). Por isso, sempre que me apresento, digo "Muito prazer, Vítor Oliveira, sem 'c' e com acento no 'i'". Sempre dá um ar de modernidade, mais fresco e desempoeirado, não sei se percebeis (cá está o vós).
      Hoje, sinto-me, portanto, "avis rara" com a crónica "Até que o vós me doa" do RAP, publicada na revista Visão:

(clicar na imagem para aumentar o texto)

    Depois disto, não vos riais, que para mim é assunto muito sério! O desuso do pronome (que mais parece majestático, face ao banalizado 'vocês') e a raridade dos "Vítores" precisam de uma comissão de trabalho e de estudo já, para não falar de uma petição imediata, visando a resolução de duas questões críticas nacionais. Pelo menos, a dos "Vítores", claro está!

     E para ir ao encontro do RAP, antes que vos vades embora (este conjuntivo do verbo 'ir' na segunda pessoa do plural é um primor!), ficai sabendo que o nosso cronista da "Boca do Inferno" (vira essa boca para lá!) muito usou e abusou do "Vítor" (ou melhor, do "Senhor Vítor"). Tantas vezes o disse que disso não fez vitória. Imaculada Conceição me valha (por o dia feriado ser dela), com uma ajudinha de São Vítor, ora pois então!