domingo, 11 de outubro de 2015

Tenho falado delas...

      ... das redundâncias que nem sempre evitamos.

     É certo que algumas são mais redundantes do que outras (o "subir para cima" ou o "descer para baixo" são exemplos clássicos do designado pleonasmo), e há casos cujo contexto até motiva bem o uso delas.
     Numa listagem que circula pelo Facebook, podem ser encontradas algumas delas:



      Falar ou escrever sobre o tempo passado  ("há X tempo") não necessita, efetivamente, do termo "atrás" - pois o tempo pretérito está mesmo localizado para trás e não para a frente da coordenada temporal do falante. Contudo, todos percebemos que há olhos que também sorriem (no brilho que transmitem, enquanto outros se mantêm baços). Daí que o "sorriso nos lábios" não seja tão sincero ou completo como quando os olhos o deixam ler (ou não sejam eles a janela da alma). Além disso, perante detalhes ou pormenores demasiado gerais ou genéricos até pode ser considerada a existência de outros de grau mais específico e/ou minucioso. E, na qualidade ou quantidade dos envolvidos, até pode haver consenso mais geral do que unânime ou mesmo um convívio junto, para distinguir dos encontros chamados convívios que se ficam pela formalidade ou obrigatoriedade e nem sempre se pautam pela união ou identidade desejadas.
     Enfim... a redundância é propriedade comunicativa natural nalgumas línguas e, no caso do Português, para lá de uma dimensão gramatical redundante que muitas vezes se impõe (por questões de coesão sintática, por exemplo), há realizações intencional e pragmaticamente marcadas / motivadas na constituição ou construção de expressões que já se tomam como fixas (pelo significado associado). Isto para não mencionar efeitos literários decorrentes do seu uso.

     Ser redundante nem sempre é vicioso ou excessivo. Pode ser um diferencial qualitativo de reconhecido mérito.