quarta-feira, 14 de março de 2012

In Skené... com heroína em cena

      As palavras têm o significado que se lhes dá: por vezes, os mesmíssimos termos têm significados tão diferentes.

      Este, em parte, foi o balanço de uma representação a que as minhas turmas de 12º ano assistiram hoje no Auditório Municipal de Gondomar: Felizmente Há Luar!, de Sttau Monteiro, numa adaptação levada a cabo pelo In Skené - Grupo de Teatro de Amadores de Gondomar.
    Numa abordagem económica de todo o primeiro ato, a aposta centra-se na fidelidade ao texto do segundo ato, aquele em que a esfera familiar, o protagonismo feminino e o grito de revolta e de esperança se constroem.
     Matilde de Melo é a heroína, numa extensão da figura libertadora que o Marechal Gomes Freire de Andrade representa até à hora da morte, às ordens absolutistas e despóticas dos três reis do Rossio (Miguel Forjaz, Principal Sousa e General Beresford). É a voz liderante, a dar continuidade às expectativas depositadas na mudança - é o luar no reinado da noite.
    No jogo de poderes configurado na obra, a singularidade e a dimensão expressiva do título revelam-se tão essenciais quanto este poder ser interpretado de diferentes formas. As palavras são as mesmas, a expressividade associada ao ato é comum, mas a intencionalidade última e o alcance dos significados são diversos:


       Felizmente Há Luar! - um só título para muitas falas explícitas ou subentendidas. Entre os dois últimos casos sistematizados (à direita), as aproximações são inevitáveis, numa identidade entre o que o autor pretendia e o que a personagem dizia para o seu tempo; ou mesmo entre o que o dramaturgo desejava para o seu tempo (anos sessenta do século XX) a partir dos atos e das palavras da sua heroína (das primeiras décadas do século XIX).
     Esta última, representada desta feita por Joana Sousa, é portadora de uma força que nos instiga à mudança, numa atitude épica e ética face ao tempo e ao mundo. Esgotante, todo o protagonismo da personagem sobrevive no corpo, na voz, nos gestos da jovem atriz.
      A propósito do evento, fica aqui o registo de uma pequena reportagem televisiva produzida por Catarina Silva (para a Regiões TV) acerca desta época de representações:


     Trabalhos, heranças que a Escola Secundária de Gondomar (ESG) vai reconhecendo nas mãos de antigos alunos, expostos aos olhos e ouvidos de estudantes do presente, ambos a marcar a crença de que pode haver futuro.

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