terça-feira, 23 de outubro de 2018

É de rir... para não chorar.

      Consultado sobre o processo de formação de uma palavra, diria que nem ao diabo lembra.

        A palavra é "velhaco". E o processo de formação?
        A semântica e o léxico responderiam logo que "velhaco" nada tem a ver com velho.
       A morfologia, mesmo admitindo a inusitada hipótese de ter 'velh+aco', não veria, por certo, 'aco' como sufixo para, com regularidade, formar novas palavras. Não havendo tal sistematicidade sufixal (pouco mais além se vai de 'austríaco', 'dionísiaco', 'demoníaco' ou 'maníaco') nem se estabelecendo qualquer relação com 'velho', logo haveria razões para suspeitar da formação por derivação. 
      A consulta de alguns dicionários com informação etimológica faria o resto: 'velhaco' vem do castelhano / espanhol 'bellaco'. Trata-se, portanto, de um empréstimo, aportuguesado, mas não formado no português; constitui-se como palavra-base ou derivante para as derivadas 'velhacaria', 'velhacagem', 'velhacaz' ou 'velhacão', entre outras.

Entrada de dicionário: Priberam Dicionário Online
(cf. https://dicionario.priberam.org/velhaco)

     Pede um dos manuais do ensino básico (8º ano de escolaridade), dos mais adotados da nossa praça editorial (com todos os requisitos de revisão, consultoria científica e qualidade atestada por sabe-se lá quem), que se veja em 'velhaco' uma palavra derivada por sufixação. 

      Coitadas das crianças! Perdoai, pois há quem não saiba o que anda a fazer.

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