segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Escolher é preciso!

      Já o indiquei por várias vezes. Volto a dizê-lo. E não cansarei de o repetir.

      Tudo surge na sequência de um pedido de esclarecimento.

     Q: Na frase "Leu a mensagem inscrita nos vitrais da igreja", qual é a função do sublinhado? Complemento ou Modificador? Obrigada.

       R: Antes de responder diretamente, começo por um pequeno alerta: a resposta a dar vai estar ao nível de uma função sintática interna e não de um primeiro nível de análise.
          A um primeiro nível há um sujeito nulo subentendido (Ele), um predicado ("Leu a mensagem inscrita nos vitrais da igreja") e um complemento direto ("a mensagem inscrita nos vitrais da igreja"). Este último encontra-se expandido por um modificador restritivo do nome ("inscrita nos vitrais da igreja"). Portanto, "nos vitrais da igreja" não é um modificador do grupo verbal / predicado nem se situa ao nível de análise implicado no processo de 'leu'.
          Considerando apenas o modificador restritivo do nome, verifica-se que este é configurado por um adjetivo ('inscrita'). Só que este adjetivo advém do verbo 'inscrever' (pela forma de um particípio passado), o qual seleciona complementos para saturar o seu significado, na estrutura argumental. Nesta medida, tal como o verbo selecionaria um complemento, o mesmo faz o adjetivo a ele associado, pelo que 'nos vitrais da igreja' é um complemento do adjetivo - função sintática interna, a um nível de análise já bem distante das funções nucleares (do sujeito, do predicado e respetivo complemento direto).


         Em suma, o sublinhado é um complemento, mas não de um verbo - sim, de um adjetivo.

       A complexidade na classificação do sublinhado assenta numa lógica de dependências (resultante da expansão dos grupos de palavras representados, entre os superordenados e os neles radicados). Espero que a consideração do complemento do adjetivo seja inclusivamente entendida segu(i)ndo a analogia que se estabelece com o verbo que lhe subjaz. Por certo, trata-se de um exemplo de análise para níveis de ensino mais complexos. Há que escolher bem os casos a trabalhar em aula.