terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Dia ou noite... de reis e de rainhas..., com príncipes e princesas

     Há quem diga que devia ser feriado; pelo vivido hoje, não.

     Até porque, se o fosse, não teria, por princípio, acontecido o que registo.
     Não foi a noite de reis. 
   Foi a noite do dia de reis, com muitas rainhas e outros tantos muito especiais - o primeiro dia de entrega dos diplomas no Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), para os 4º, 5º e 6º anos, na Escola Básica Integrada Sá Couto (EBISC). 116 alunos(as) a receberem o aplauso e o diploma pelo sucesso de qualidade conseguido (excelência académica, mérito desportivo e reconhecimento de valores) em três das escolas do AEML. 

Um dos diplomas atribuídos (Excelência Académica), a par de outros.

       Outros dias e outros anos de escolaridade virão com o decorrer da semana; mas tudo começou com grande emoção.
     Falhou a intensidade da música, mas a dança ensaiada sem qualquer barreira, a tímida melodia, o gesto e o ritmo demonstrados, a mensagem do "Gosto de ti" (de André Sardet) e uns jovens encadeirados a dançar com quem não aparenta tais limitações foram ingredientes para um momento comovente, magnífico, a fazer acreditar que o mundo pode ser tão melhor! Todos unidos por uma t-shirt branca com um coração rubro se mostraram conquistadores de um público que assistia no respeito do silêncio, da diferença, na consciência de que estavam juntos por e para uma causa maior, independentemente das fragilidades existentes.
       As palmas pelos diplomas atribuídos não apagaram um silêncio construído em união e com coração.
     Não ouvi chamar nenhum Belchior, nem Gaspar, nem Baltazar, mas havia muitos nomes de pequenos reis e rainhas que, no ano letivo 2024-2025, trouxeram, do ouro, o brilho do orgulho sentido; da mirra, o aroma da humanidade; do incenso, o exemplo do esforço e da transcendência de todos os que procuram superar-se no estudo, no desporto, nos valores que a escola pública assume na formação integral e integrada de futuros cidadãos (respeitáveis, trabalhadores, colaborativos, inclusivos, solidários). Já o são e prometem continuar a ser.
       Hoje, no dia da adoração de reis (e por que motivo não acrescentar rainhas?), a todos os presentes, importou destacar a estrela da gratidão: aos(às) alunos(as) reconhecidos(as)  pelo mérito / sucesso de qualidade no desempenho das aprendizagens feitas; aos(às) professores(as) envolvidos(as) no acompanhamento dessas aprendizagens, representados(as) pelos(as) Diretores(as) de Turma presentes, alguns(mas) vindos(as) de outras escolas, após um dia de trabalho(s); aos assistentes técnicos e operacionais, tantas vezes a dar a mão e o coração nos corredores, no recreio e nos espaços que nem sempre são letivos. Gratidão também aos (às) Encarregados(as) de Educação e familiares das crianças e jovens que, entre esforços e cansaços, têm sabido ir além do esfumar dos dias, lembrando que a verdadeira fama requer esforço; que o sucesso só aparece antes de trabalho no dicionário; que o alimento serve não só o corpo mas também o espírito, engrandecendo todos os que sabem olhar para a esquerda, a direita, para a frente e para trás, encontrando o outro, aquele que caminha junto, em grito de apoio, de solidariedade, de inclusão (sem egoísmos e com foco no bem comum).
       Manuel Laranjeira, patrono do agrupamento, enquanto escritor, afirmava, numa carta ao amigo Luiz Pinto Ribeiro (05.03.1904), que não aspirava a "homem célebre"; que "escrevia para satisfazer uma necessidade pessoal que é dizer aos outros o que pensa da vida e dos homens" (in Cartas, Lisboa, Relógio d'Água, [1943] 1990, p.26).
    Penso da vida e dos homens... que o orgulho (bom) assenta na realização, no reconhecimento e na felicidade pessoais em prol do bem comum; que a ambição (boa) se funda no que possa fazer-se para o bem da comunidade; que o percurso a cumprir, independentemente das pedras no caminho, se quer na continuidade do bem que se viva e das aprendizagens que se querem conquistadas na vida para a felicidade todos.

      Por todos os momentos e por um especial, logo o inicial, este foi um verdadeiro dia de reis e rainhas. Com a gratidão devida a quem organizou, participou e permitiu viver um instante que fez a diferença do dia no AEML.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Noite ou manhã escuras à espera do templo

      Acordar com a prisão de Nicolás Maduro.

      Seja essa a expressão para pôr fim a quem encabeçava, até ontem, na ação ou na concessão, uma situação que não dignificava todo um povo a gritar por liberdade; a mostrar a possibilidade de um outro caminho, entretanto barrado pelo autoritarismo imposto por um regime pouco ou nada democrático; só discursivamente popular.
     A esperança e a resistência venezuelanas são a afirmação da possibilidade; são o sentido daquilo que não se quer vivido e se deseja mudar: despotismo, injustiça, desigualdade, oportunismo.
      Seja esta a oportunidade que não se quer perdida!
     Ainda assim, no meio das celebrações, quero continuar a acreditar que os fins não justificam os meios usados. Nascido o dia, sinto que continuo na escuridão. Por isso, lembro vozes e música portuguesas a sinalizar o caminho: "que o amor nos salve nesta noite escura".

Composição para as "noites escuras" vividas fora do "templo do mundo", com as vozes de
Pedro Abrunhosa e Sara Correia (programa televisivo "Em Casa d' Amália", 10-11-2023 - RTP1)

      Mais um passo para a "trumpalhada" que vivemos - uma noite muito escura, onde as estrelas tudo têm de brilho falacioso, pautado por interesses extremados e extremistas: "uma luz que cala". Quero acreditar que "ninguém nesta terra é dono do templo", que "ainda há frutos sem veneno".
       Seja este o dia feito "semente [que] será fruto pela vida fora."

     Não se aplauda ou legitime o que, sendo dito, não é senão o interesse de alguns ou de quem o diz - afinal, não muito diferente do que já existia e, talvez, se tenha derrubado ilusória ou momentaneamente.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

De tirar o "chapéu"

     Literalmente; sem mais.

    Dizem os franceses que o acento circunflexo semelha um "petit chapeau"; os portugueses referem-se a ele como "chapeuzinho". De uma forma ou de outra, há que o retirar, quando sinaliza uma sílaba que não é a tónica. Se 'presidencial' não tem [den] como a sílaba mais forte, para quê o acento gráfico sinalizador de sílaba tónica com som fechado?

Presidente e presidencial, sem; só presidência com (com agradecimento da foto à AC)

    Não há que confundir 'presidência' com 'presidencial'. Embora da mesma família de palavras (questão morfológica), fonicamente são termos silabicamente bem distintos quanto à intensidade: a primeira é grave; a segunda, como todas as palavras terminadas em 'l', é aguda. Neste último caso, assim o ditam as regras gramaticais, não há razão para acento gráfico (ex.: mal, fatal, crucial, essencial, fundamental).  

    Ao segundo dia do ano, não me interessa se são oito, onze ou até catorze: os candidatos são presidenciais (sem acento, por certo). Votem no que vos aprouver, sempre tirando o "chapéu" ao que vos parecer mais presidencial (por respeito ou por gramática).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A começar o ano

     Se o início for indício do que aí vem, ...

     2026, à semelhança de anos anteriores, é celebrado com o primeiro banho de mar, na praia grande do Ferragudo
   No apontamento jornalístico, segundo repórter e entrevistados televisivos, o mar está espetacular, melhor do que no verão (apesar das baixas temperaturas do inverno) e não há frio ("Não está frio! Você tem frio? Eu não tenho frio nenhum. Está impecável, está espetacular!").

Legendas infelizes na televisão a abrir o novo ano (foto VO)

     Registo eu que fiquei gélido só de ler a legenda, por várias vezes acionada, ao longo da reportagem.

Muda a imagem, mantém-se o erro. Antes fosse o contrário (Foto VO)

    Alguns dirão que se trata de uma pequena falha no acento; todavia, as implicações sintáticas são mais gravosas, ao colocar-se um sujeito plural em discordância com o singular da forma verbal (mantém - singular; mantêm - plural).

    Boas energias e o bom arranque dos banhos deviam servir para o bom uso da língua. Melhores concordâncias (sintáticas), diria.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Está para chegar (novo ciclo)

      Depois da despedida (saída), a entrada.

       Fecha 2025; abre 2026.
      Entre um e outro, entre o balanço e as expectativas, parte-se para novo ciclo, no alinhamento do tempo, dos caminhos e das passagens, que se cumprem em percursos, mudança e esperança.
     Com música,... a lembrar harmonias no final de um ano e o desejo de união e amizade para um outro:

Uma balada de bondade e amizade, que começou por ser uma secular cantiga escocesa (para os que migravam)

        Eis a letra cantada:

Should auld acquaintance be forgot,
and never brought to mind?
Should auld acquaintance be forgot,
and auld lang syne?

For auld lang syne, my dear,
for auld lang syne,
we’ll tak’ a cup of kindness yet,
for auld lang syne.

And there’s a hand, my trusty friend!
that gives a hand to thine!
we’ll tak’ a cup of kindness yet,
for auld lang syne.

      Com outros versos, num grafismo sugestivo de movimento, afirme-se novo ciclo que se (re)abre a cada estação, a cada vivência que vale por isso: por se orientar para a vida.

Movimentos na direção de mais um ciclo (poema VO) 

     Virá o momento em que os "bons velhos tempos" darão lugar a nostalgia, a saudade de um bem passado, inspirando presente e futuro, no que há de bom a lembrar, a viver, a conseguir.

      Um bom 2026 para todos. Com saúde, união, bondade e amizade, na humanidade e no humanismo de um mundo que pode (sempre) ser melhor (se baseado na verdade e na dignificação dos seres).

Renovados votos

     Está aí mais um Natal.

     Recupera-se uma foto e um texto domésticos. Constrói-se um novo postal.

Versinhos natalícios em modo reciclagem

     Renovam-se os votos: um natal luminoso, mais humano e menos conflituoso.

     Feliz Natal.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Confusão de pessoas... e não só.

     Não. Não eram muitas; uma apenas, erradamente identificada.

    Todos sabemos que, tipicamente, existem três pessoas gramaticais na conjugação verbal (primeira, segunda, terceira), numa relação com o número (singular / plural). Convém é não dizer que uma é outra, particularmente quando do "Bom Português" se trata.
     Fantástico é o facto de todos os interrogados terem assumido que a forma correta, no caso crítico indicado, é "discutirmos". Todos souberam a resposta. Então aquele grupo que afirma "Sem hífen, não há dúvida", "Tem que ser sem hífen, não há hipótese", "A sério?" (insiste a repórter), "Sim" é verdadeiramente do melhor!
     
Da foto, nada a dizer; do que se ouviu televisivamente, foi um susto! (Foto VO)

     Segue-se, então, a explicação: "A forma correta é 'discutirmos' tudo junto" (vá lá!), "Trata-se da terceira pessoa do plural..." (como é que é?!!! De novo?!), "... do infinito pessoal do verbo discutir" (infinito?!!! A sério?!). E lá vem o fecho clássico da rubrica televisiva: "Assim se escreve em Bom Português".
      Ora ainda bem que se escreve em bom português, porque, no que toca ao que se ouve ou se diz, vai muito mal. Péssimo! Não fosse 'nós' a primeira (qual terceira?!!!) pessoa do plural e o 'infinito' estar mais para o finito de conversa, quando não se consegue referir a forma / o modo verbal devidamente (pois de 'infinitivo' se trata).

      Mau momento garantido para o português, que pouco ou nada tem de bom por parte da locução. Às 6:27 da matina, até um ensonado acorda. E já não é a primeira vez que o mal acontece. Lamentável.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Animar... a leitura

       Fui convidado a ler, numa turma de 10º ano, um texto sobre o natal... tempo de nascer...

    A proposta da Biblioteca AEML pretendia um breve momento de leitura em todas as turmas, enquanto dinâmica enquadrada na feira do livro, mais a abordagem do natal e do nascer. Ao final da primeira experiência, veio a segunda e, porque não há duas sem três, lá chegou mais uma.
      Inscreveram-se as turmas que quiseram receber o(a) leitor(a). Eis que lhes surge o diretor... para ler.
     Levei comigo o livro (Quinze Poetas Portugueses do Século XX, com seleção e prefácio de Gastão Cruz), apresentei o autor (Jorge de Sena), pedi que me dissessem se o poema trazido tinha alguma coisa a ver com o natal, o nascer; mas, acima de tudo, quis que partilhassem comigo a leitura a fazer. 
     Ensaiado um esquema de animação (escrita a palavra "BRILHA" no quadro; lida em voz alta e em coro, marcando a força, a vontade e a luminosidade que importa ter neste mundo; combinado o momento em que a diriam), foi só oralizar o texto:

"Uma Pequenina Luz", de Jorge de Sena, in Fidelidade (1958), com voz e vídeo de VO

     No final, depois de partilharmos a voz na leitura, pronunciaram-se sobre a (in)adequação da escolha; refletiram sobre o que "nasceu" no momento viv(enc)i(a)do; explicaram aproximações e afastamentos de opiniões; concluíram que, no ato de ler, é possível a união, o gosto da emoção, o (re)nascimento do que vale na vida.
       Tiveram cinco minutos (talvez dez) de, espero, luz com a poesia.

   Também eu vivi a luz, o calor, o gosto de estar na sala de aula, com todos eles. Esqueci dores, agruras, urgências, sufocos e senti que todos merecemos experienciar momentos destes mais vezes.