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quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Esperteza... nem saloia nem sintática

       Se a necessidade faz os homens espertos, o desconhecimento torna-os ineptos.

    Digamos que o sentido proverbial da primeira parte (subordinada) do pensamento anterior sai combinado, no fim, com o valor intencional crítico da sequência principal (subordinante). 
     Subordinado ao pagamento das compras feitas, impôs-se o registo fotográfico perante a leitura do inadmissível. Entre tanto sítio nas frases onde possa aparecer uma vírgula, há quem insista em colocá-la onde não deve: entre o sujeito da frase e o predicado. 
       Eis a prova do desconhecimento e da inépcia:

Publicidade enganosa? No mínimo, errada na escrita da pontuação (Foto VO)

         Só quem ainda é herdeiro de métodos errados no ensino da pontuação (os que generalizadamente dizem, por exemplo, que a vírgula marca uma pausa) é causador deste erro. 
      Além de uma representação fonética e/com algumas implicações semânticas, a verdade é que a pontuação é eminentemente uma representação gráfica da linearização de enunciados, ou seja, da natureza sintática que os carateriza. As vírgulas, nesta medida, marcam a presença de vocativos (chamamentos), de enumerações, de anteposições de elementos na ordem sintática, de modificadores não restritivos / explicativos / apositivos (com ou sem encaixe nas frases). Não podem é nunca separar sujeitos de predicados nem os verbos dos elementos que contribuem para a sua complementação (sejam complementos sejam predicativos).
      "Quem compra no sítio certo" é o sujeito (oracional, frásico) do predicado "parece logo mais esperto". Uma vírgula não pode separar estas duas sequências. Duas até poderiam, com a introdução de um encaixe (cf. "Quem compra no sítio certo, sem sombra de dúvida, parece logo mais esperto).

     Podendo eu estar no sítio certo, a verdade é que quem publicita tem, no mínimo, esperteza duvidosa.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Agradecimentos...

      Há quem registe o agradecimento!

     Hoje, a Rádio Comercial mostrou a sua generosidade e um sentido justo para os agradecimentos não terem de ficar condicionados às vitórias.

Um agradecimento à espera da vírgula do vocativo! - (imagem colhida do Facebook)

        Concordo. Há perdas ou derrotas que também merecem agradecimentos. 
      Duas palavrinhas apenas... e a falta de um sinal de pontuação faz sentir-se: a vírgula do vocativo, se faz favor. 
      Quem chama virgula. "Obrigado, rapazes!" É assim que se agradece, com o chamamento devido dos "rapazes".

      Faz sentido a imagem! Contudo, no texto, uma virgulazita faz a diferença.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Reação "poética"!

       Disseram-me para ler um poema que lhes dizia muito.

      Gosto destas partilhas genuínas, capazes de transformar o mundo e fazer de nós melhores pessoas. E quando de um poema se trata, digo que estou na minha zona de predileção.
      Ei-lo:

As palavras que sempre te direi: aprende a pontuar.

      Se ainda fosse para ouvir, até a mensagem poderia resultar (no conteúdo, sem atentar muito no vocabulário pobre da escrita). Como me pediram para ler, só me resta dizer: pontua melhor e serás grande!
    Talvez devesse dizer versos, mas apetece-me ficar pelas dez linhas do texto, que me apresentaram como poema. Escapa a última. Nas sete primeiras, uma vírgula separa sistematicamente o sujeito do predicado - o que nunca pode acontecer, enquanto regra essencial da língua; na passagem da oitava para a nona, existe um ponto e vírgula com uso estranhíssimo (melhor, incorreto) a separar o verbo - 'interfere' - do seu complemento - 'Naqueles que estão ao meu redor'.
      Nunca!
      Duas regras basilares da pontuação: não separar NUNCA o sujeito do predicado por uma só vírgula; não separar NUNCA o verbo dos seus complementos / predicativos por uma só vírgula (ou ponto e vírgula).

      Esta foi, assim, a melhor pessoa que "o poema" despertou em mim: a que denuncia os erros de pontuação, garantidamente, como exemplos a não repetir. É este o meu princípio de boa fé.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

A propósito de choques... (no plural)

      "Chocada" por chocado, resta dizer que já somos dois em choque!

     Lido um 'briefing' noticioso do dia, chama-me a atenção o título de alguém que se diz chocado. Acabei por ficar da mesma forma, mal assimilei o conteúdo do texto:

Um 'briefing' a correr o risco de nunca mais acabar...

      Nem sei por onde começar. Vamos por ordem. 
    Primeiro, uma construção relativa que não dá lugar à devida anteposição do pronome 'se' ( > "... dentro do qual... se mantém..."); depois o conectivo aditivo "não só... mas também..." que, na sua composição correlativa, não deve dar lugar a separação por vírgula; por fim, a extensão frásica de todo o apontamento a encadear orações sucessivas, umas atrás das outras, num comboio que parece não ter fim. Bem digo aos alunos que, ao escreverem, duas / três linhas, há que parar, para dar fôlego à escrita e o leitor não sufoque. Duas, três orações e chega! Colocar ponto e recomeçar a construção de novo período com pensamento completo (princípio-meio-fim). Não só a extensão excessiva começa a comprometer a inteligibilidade informativa como também o erro se torna previsível: aquele 'onde' a retomar 'autoridades gregas' é, no mínimo, duvidoso. E, logo a seguir, está para surgir nova subordinada introduzida por um 'que', mais uma coordenada com um 'e', e sabe-se lá o que mais virá (viria).

       Pelos vistos, o choque não é só da Srª. Secretária de Estado. É também meu, por um 'briefing' que não é tão breve quanto isso. Portanto, um mau exemplo de escrita.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Mais do mesmo

       Depois do nabo, continua a luta (falta saber se com nabos se com nabiças).

       Dizem que não há tempo mais oportuno do que este, a julgar pelo texto seguinte:

A oportunidade do ato de 'desinfetar'

    Concordo que desinfeção é palavra de ordem, nos dias de hoje. Todavia, no que à expressão popular e regional diz respeito, entenda-se 'desinfetar' como sinónimo de 'desaparecer'. E que bom seria que o Corona vírus desinfetasse da nossa vida. Melhor ainda se, na escrita, a vírgula do vocativo não fosse esquecida.

         Assim tem de ser!
   
     Deve haver um vírus na memória de quem escreve estas coisas. Chama e não virgula! Santa paciência!

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Descubra a(s) diferença(s)

       Há frases que não merecem estar mal escritas.

       Foi o que pensei assim que encontrei esta:

Frase com defeito na escrita

       Para figurar nesta "carruagem", teve de sofrer um pequeno grande reparo:

Frase no seu melhor (de sentido e de escrita)

       Se há sítio onde não se pode colocar vírgula é entre o sujeito da frase ("Os melhores apertos da vida") e o respetivo predicado ("são os abraços").

      Numa frase com tanto sentido, pede-se o melhor registo escrito.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Entre a excelência e os superlativos...

    ... é difícil a concentração de tanto erro!

    Quando o discurso ou a retórica da excelência e do sucesso me são dados a ouvir ou a ler, espero sempre pela coerência dos atos ou das palavras. Nada como ir das palavras aos atos. Pena é quando tal não acontece. Gosto pouco de palavras vazias, sem sentido ou que não refletem a mensagem pretendida. É disso exemplo o anúncio seguinte:

Publicidade enganosa no que dá a ler (Foto VO)

     O superlativo não tem o acento gráfico devido (finíssimo); esplêndidos, a ser bem pronunciado, nunca daria lugar no escrito à sílaba 'ex'; a maiúscula de 'bolos' só por destaque ao produto se compreende, ainda que sem razão gramatical; a ausência de vírgula à esquerda do vocativo intercalado resulta em erro grave de pontuação ("Olha, minha amiga, são...").
    E no meio de tudo isto, uma exclamação sem o ponto gráfico do sinal é o absurdo na representação gráfica.

    Conclusão: acho que vou comer um bolo, dulcíssimo ou o mais esplêndido possível, para, meus amigos, esquecer este singularíssimo momento de despautério publicitário (só faltava, para ridículo total, a primeira palavra ter hífen).

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Lá vem a vírgula do vocativo, gente!

    Chamamento, vocativo, apóstrofe... na pontuação dá no mesmo.

    É mesmo isto!
   Cansado de ler "boa tarde / boa noite professor" - quando devia encontrar "boa tarde / boa noite, professor" -, nem me apetece responder quando não sou nem me sinto chamado.
   Quem chama, invoca ou apostrofa deve marcar, na escrita, esse mesmo ato: fá-lo com uma simples vírgula. Dos poucos casos em que a ausência desta constitui erro ou altera substancialmente o significado da frase, um é precisamente o aqui ilustrado:

Do assunto ao destinatário / recetor - uma questão de vírgula

    E se dizem "é só uma vírgula", "esqueci-me", apetece-me responder "OK! Tens sete. Era dezassete, mas só falta um '1'. Esqueci-me".
    É tão mais fácil não ser escravo da ignorância! Claro que não acredito que alguém possa acabar com o trabalho (soa a promessa política que ninguém pode / deve concretizar). Aposto mais na colocação da vírgula para verdadeiramente perceber que o patrão / o político / o responsável ou chefe nos vê como autêntico escravo do trabalho.

    Mais se diga: a diferença entre o assunto (falar ou escrever sobre algo) e o destinatário (falar com alguém / escrever a alguém) é frequentemente assinalada pela simples vírgula, no segundo cenário. Sim, porque uma coisa é falar sobre escravos; outra bem distinta é falar com eles. Percebido, minha gente?

domingo, 26 de março de 2017

Pensamento do dia (com frio e chuva)

     E para hoje,...

     ... nada como passear pelo Facebook e encontrar a imagem seguinte na página "O Sexo e a Idade":


     Concordo com o conteúdo.
     Quanto à forma, resta-me responder à letra:


     Não é embirração, mas a impressão de que, amanhã, vou voltar ao mesmo (isto porque 'água mole em pedra dura muito dá e pouco fura'). 

     Parece que a única coisa que mudou hoje foi mesmo a hora, para tornar a luz dos dias mais longa.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Oh, pá! (veja-se bem o que está antes do 'pá')

  Logo após a vitória, aparece publicidade por tudo quanto é sítio (nomeadamente o Facebook).

    São tantos os casos de registo encomiástico e apelativo que leio erradamente escritos que a cada leitura só me apetece dizer (mesmo que apenas no pensamento!) "Irra!" ou "Bolas!" (já que de bola foi o jogo).
      Basta ver o amarelinho que acrescentei a todos os 'post'.
      Aí vai o primeiro:

A Rádio Comercial e o apontamento no Facebook
(Falta de vírgula - I)

       Segue-se o segundo:

   A página da Seleção Futebol no Facebook  (in https://www.facebook.com/selecaoptfutebol/)
(Falta de vírgula - II)

     E cá vai mais um (porque dizem que "Não há duas sem três"), porque no meio do registo amarelito  cimeiro um outro amarelo tem de aparecer:

O Semanário Sol e o apontamento no Facebook 
(Falta de vírgula - III)

         Não fosse o bastante, lá vem o quarto:

A página da aiamatilde no Facebook  (in https://www.facebook.com/aiaimatilde/photos/)
(Falta de vírgula - IV)

     Custa muito colocar a vírgula do vocativo?!
   É dos poucos casos é que esta é mais do que obrigatória na escrita e, ainda, assim, tantos se esquecem dela.

   Bem digo eu: chamou, virgulou!

sábado, 7 de maio de 2016

Nódoa(s)!

      Nem sei se será o melhor pano, mas a nódoa está lá.

    Na discussão atual do financiamento dos colégios e das escolas particulares pelo Estado, os partidos da oposição têm vindo a reagir, de diversas formas, com os argumentos mais impensáveis (sempre orientados para a preservação de uma situação que já foi mais do que alertada e publicamente apontada como dúbia, polémica e adversa). Há mesmo os que "exigem" o respeito dos contratos de associação. Se exigissem respeito por todos e não apenas por alguns, o mundo seria bem melhor, com igualdades menos injustas e com associações mais felizes ao serviço público, sem necessidade de contratos injustos. Pagar com dinheiro público a sobrevivência ou manutenção do ensino privado é, no mínimo, perverso, inclusive na adução, a todo o custo, de um direito de liberdade que só pode ser entendido na radicalidade do seu uso minoritário, seletivo e excessivo. 
     Daí que sejam mais do que oportunos os jogos de palavras a espelhar uma realidade bem iníqua:


     Não quero com isto dizer que sou contra o ensino privado (nalguns casos, muito pontuais, a constituir a única oferta educativa disponível de algumas localidades) ou, como alguém já o defendeu, que, graças a ele, os ricos conseguem entrar nas universidades públicas, enquanto os pobres andam na escola pública para serem empurrados para as universidades privadas - felizmente, a escola pública tem representantes de todas as condições sociais, algo bem típico da heterogeneidade social que a vida dá a (vi)ver; as competências destes são avaliadas e reconhecidas pelo ensino superior público como de maior preparação para a prossecução de estudos académicos (a julgar por algumas notícias lidas nos jornais), e algumas vezes contrariando determinismos sociológicos que teimam em perdurar; muitos ainda são os estudantes que entram na universidade pública e que do ensino público são oriundos, por princípio, sem práticas assumidas de evidente exclusão ou seleção. Por isto, sou dos que se revê na(s) qualidade(s) da escola pública, não obstante alguma que o privado também possa ter. E se a tem, que seja pago por isso e por quem o quer; não pelo Estado, que, desde há muitos anos, vem financiando turmas de alunos que bem podem caber numa escola pública, para não falar da concessão de algumas autonomias na gestão de recursos que o Estado impede ou dificulta ao sistema público - contrariamente ao privado que as tem asseguradas e delas faz bandeira. Assim, este último que se faça pagar, a bem da categorização adjetiva que tem e da liberdade daqueles que nela queiram investir com o dinheiro que a escola pública não tem.
    Nesta medida, muito me espanta que ainda haja quem, a todo o custo e como princípio geral, dê a cara pelo indefensável. Pior ainda quando o moreno da figura feminina não condiz com a preocupação social, argumentada do modo mais infeliz: primeiro, porque uma maior procura da escola pública não deixaria de representar maior necessidade de recursos, com oportunidades de emprego mais ajustadas às condições contratuais do serviço público (pode não dar para o ouro, para as pérolas ou para o solário, mas também não se pecará por alguns ou outros excessos); segundo, porque, contrariamente ao escrito, o que pode estar em causa nunca serão as pessoas, as profissões por elas exercidas ou o estatuto em que se encontram (por mais retórica que a formulação seja, para referir implicitamente os postos de trabalho ou a quantidade de matrículas), até porque todas elas têm de valer bem mais do que qualquer número (que, por sua vez, nada diz sobre o que o caracteriza ou sobre as condições concretas da sua existência); terceiro - e apetece-me dizê-lo à moda inglesa "the last but not the least"-, porque se usa uma só vírgula a separar o sujeito do predicado da frase, bem reveladora do desconhecimento quanto ao emprego deste sinal de pontuação (na variação que o uso de vírgula possa ter, está em evidência uma das poucas incorreções da língua, grave no que à pontuação diz respeito).

     Coisa(s) tão escusada(s)! Se no melhor (?) pano cai a nódoa, é bom que os serviços de limpeza atuem de forma eficaz (se é que me entendem)! Assim espero.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Eu não digo! Chamou, virgulou.

    Estou sempre a dizer isto, na chamada de atenção para a correção escrita em termos de pontuação.

    Entre os poucos sítios em que a vírgula se impõe, o do vocativo é fundamental.
  Bem digo aos alunos: "Chamou, virgulou". Ainda assim, também pode ser "Virgulou, chamou" ou "Virgulou, chamou, virgulou" - tudo dependente do sítio onde se encontra a sequência do chamamento (no início, no final ou no meio de um enunciado).
    Desconsiderar isto pode representar a afirmação da prática de canibalismo:


     Pode também significar o uso desnaturado da língua escrita ou a razão para eu não dar atenção aos vizinhos, que me possam estar a chamar - depois de saudar -, sem eu dar por isso (é que falta a vírgula, entre 'olá' e 'vizinho', ora pois então!):

Anúncio e cumprimento na abertura do Continente em Espinho (foto VO)

    Isto para não falar no clássico erro do serviço público televisivo da RTP1, com as notícias da manhã. Muda-se a imagem do canal e do programa, mas mantém-se o lamentável erro de há anos:

Imagem de abertura do programa noticioso da manhã na RTP1
 
    Custa colocar uma vírgula, depois da saudação e antes de 'Portugal'?! O que não custará contribuir para a generalização da ignorância! 

    Já era tempo de aprender que, no escrito, a vírgula é uma das marcas do vocativo.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

"E a ideia até foi minha"...

    A frase é tão batida, nos últimos dias, que chegou a minha vez de a citar.

   A razão para o fazer não é boa (como, aliás, nenhuma pode ser quando alguém tanto precisa de se assumir como autor de soluções milagrosas, no mínimo, discutíveis), por decorrer da leitura de uma notícia relacionada com a aplicação de critérios pelos professores corretores dos exames de Português de 12º ano.
    Confrontei-me com a informação graças ao seguinte registo noticioso digital:

in http://www.noticiasaominuto.com/pais/421513/exames-de-portugues-tiveram-diferentes-criterios-de-correcao
(consultado no corrente dia, pelas 21:30)

    Depois de o ler, pensei no seguinte: se a qualidade da informação noticiada estiver na proporção da qualidade da correção escrita, tenho muito a duvidar acerca do que está escrito. Senão, vejamos:


    i) quem escreve deve saber encadear o texto de autor com discursos citados, de modo a não comprometer uma regra fundamental do português: não separar nunca por uma só vírgula o complemento do seu elemento predicador subordinante (neste caso, o adjetivo 'garantida');
      ii) um sujeito composto ("a existência de critérios diferentes para corrigir respostas idênticas e a falta de formação para aplicar os critérios de classificação do IAVE") deve dar lugar a um verbo conjugado no plural (não 'levou', mas 'levaram').

   Fico-me por aqui, para não tratar de outras questões (por exemplo, ambiguidades sintáticas, paragrafação dúbia). Os exemplos anteriormente indicados são suficientes para a responsabilidade editorial sair lesada (seja por quem escreveu seja por quem validou o que foi publicitado); a qualidade informativa acabar, no mínimo, relativizada.
   Abordar questões de correção do português num texto mal escrito é informação caída em descrédito.
    Por ora, mais não escrevo, embora sublinhe que a existência de professores interessados em desenvolver um trabalho profissionalmente responsável, oportuno e atempadamente realizado motiva a construção de equipas, parcerias que, colaborativamente, constituem os chamados "amigos / profissionais críticos" enquanto realidade mais próxima, atenta e imediatamente disponível do que a virtualidade digital, distanciada, sem cara e sempre mediada.

    Retomando a notícia, pergunto-me se os responsáveis editoriais dos mass media não deveriam encarar com mais seriedade e profissionalidade o uso da língua, rodeando-se de pessoas (mais) competentes na validação dos registos que public(it)am.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Decididamente, um "olá" sem correção.

     São já tantos os casos que seria bom passar a dizer "Adeus".

    Não há anúncio publicitário da "Olá" que, ultimamente, passe no crivo. E a questão já não limita ao hífen mal usado, repetidamente mal usado, ou aos acentos indevidos.
    Desta feita, junto ao Douro e à ponte da Arrábida, há um registo que falha pela pontuação:


    A saudação e o tratamento dado ao rio tomam-no como recetor da mensagem. Daí a necessidade de vírgula a anteceder "Douro". Faz a diferença.

   As agências publicitárias contratadas para as campanhas da "Olá" mereciam ser processadas, pela frequência de erros ortográficos (e a vários níveis). Não há 'coração' (por mais gelado que seja) que aguente tanta asneira.

sábado, 7 de junho de 2014

E o sabor do saber?!

     Há quem esteja preocupado com o SABOR da vida.

   Acrescentam-lhe uns tantos ou quantos "temperos" e aguardam pela felicidade. O problema é quando há "condimento" a mais ou a menos:

Frase promocional da "Inspiring Life" (em circulação pública pelo Facebook)

     Em suma, não há frase que possa falar do sabor da vida (nem inspirar devidamente para tal) se não revelar um simples conhecimento (ou o sabor do saber): não se coloca uma vírgula a separar o sujeito ("o sabor da vida") do predicado ("sempre depende de quem tempera") - conhecimento básico nas regras de pontuação.
      E, já agora, um ponto final, para fechar o pensamento não será sinal de pontuação despiciendo.

      Talvez não fosse mau dispensar alguma preocupação com o SABER.

sábado, 31 de maio de 2014

Casos de pontuação: a vírgula

      Digamos que é uma forma útil esta, a de terminar o mês com um pedido justificável.

     Quando são eles a pedir, nada como instruir nos meios que procuram (ainda que uma boa gramática os pudesse orientar de forma mais completa).
virgul A feto, de Sílvio Prado (poema concreto)
(in http://poesiavisualsilvio.blogspot.pt/2010_06_01_archive.html) 
    Q: Professor, tenho tanta dificuldade em acertar nas vírgulas que gostava de lhe pedir, se não fosse pedir muito, umas dicas para ver se acerto mais. Obrigado.

    R: Isto quanto a dicas é tarefa complicada, porque o assunto não é tão simples quanto isso.
     Em vez de dizer o que pode ser feito, talvez seja bom começar por referir o que nunca pode acontecer (talvez assim já se acerte mais do que é costume):

I - Situações nas quais não se pode utilizar vírgula:
     . nunca colocar uma vírgula entre o sujeito e o predicado de uma frase
Alguns alunos ainda se preocupam com a correção da pontuação.
                                   Sujeito                             Predicado                                                                    

   . nunca colocar uma vírgula entre o núcleo verbal do predicado e o(s) respectivo(s) complemento(s) e/ou predicativo(s)
Muitos alunos consideraram a vírgula um sinal de pontuação desnecessário.
[núcleo verbal  + CDirecto    +    Predicativo do CD]                      

    . nunca colocar vírgulas antes de parêntesis ou travessões que funcionem como encaixes ou assinalem modificadores não restritivos
Os estudantes (atentos à explicação) melhoraram os seus desempenhos.

    . nunca colocar vírgulas em sequências que restrinjam ou delimitem uma entidade
O Porto que eu conheci já não existe.

       Para além destas situações essenciais (e específicas), sem considerar alguns casos de uso estilístico ou de variação / gestão possível, é comum considerar os seguintes cenários de utilização da vírgula:

II - Situações de utilização obrigatória de vírgula:
    . assinalar a separação dos elementos de uma enumeração (à exceção do último, por norma introduzido pela conjunção copulativa 'e')
Havia na localidade uma escola, uma igreja, uma mercearia e uma farmácia. 

     . marcar a presença de um vocativo na frase
Meu caro amigo, é favor concluir a tarefa pedida.
Faz o trabalho que te pedi, rapaz.Sem trabalho, meus caros amigos, não condições para grande sucesso.


    . introduzir as coordenadas iniciadas pela conjunção adversativa ‘mas’ ou pela explicativa ‘pois’
Ele estudou a matéria várias vezes, mas continuava a não perceber alguns assuntos.
Todos ficaram desolados com os resultados, pois as notas estavam longe de ser boas.

  . delimitar orações subordinadas relativas não restritivas (apositivas ou explicativas), separando-as da oração principal com duas vírgulas (no caso de um encaixe) ou uma (subordinada à direita)
O ambiente, que se tornou uma questão política, está a degradar-se.
Todos discutem a questão do ambiente, que se tornou uma questão política
.

   . separar elementos / segmentos que funcionem como modificadores ou que constituam sequências de comentário / opinião
Para ser franco, agora, não sei o que te possa dizer.
Na noite de ontem, a chuva , infelizmente, não parou de cair.

   . segmentar as subordinadas participiais, gerundivas ou infinitivas quando funcionam como modificadores de um elemento / uma oração subordinante 
Concluído o trabalho, saiu do posto de emprego. (participial) 
Chegou atempadamente a casa, correndo o mais que pôde. (gerundiva) 
Teve uma ótima surpresa, ao receber uma visita inesperada. (infinitiva) 

    . encaixar expressões com valor reformulativo ou explicativo
Ele infirmou, ou seja, não confirmou a história do amigo. 

    . assinalar frases incisas (intercaladas) numa frase superior
O livro, disse o editor, foi um sucesso no estrangeiro.  

  . destacar uma interjeição, sempre que esta é seguida ou precedida de outras palavras
Ai, se esta chuva parasse de vez!

    . separar, numa data, a referência feita ao lugar
Espinho, 31 de maio de 2014 

    . destacar um segmento frásico anteposto face à ordem normal, típica da frase
Um Ipad, ele comprou-o com o dinheiro ganho.

   . marcar a omissão de um verbo que possa ser subentendido a partir de uma sequência anterior (onde se encontra expresso), para evitar repetição desnecessária
Na fila, à frente, estava uma só pessoa; atrás, mais de uma dúzia delas. 

     Depois do estudo, a exercitação.
   Fico-me pelas situações convencionadas. Outras haverá, por razões estilísticas ou motivações não convencionais, que não rezam nesta história.
     
    Espero que, depois da explicação e da exercitação, nova luz se faça na utilização da vírgula. Há quem diga que ela tem, por vezes, o formato da lua. Bom seria que, neste assunto, a noite desse lugar ao dia.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Castelos de areia...

      Circula no Facebook um cartaz com o melhor dos objetivos, ...

      É o que se pode dizer de quem deseje promover a escrita e a leitura.
      Custava evitar o erro da vírgula? 

Cartaz de divulgação de atividades de alfabetização

     Quem convida à escrita esqueceu-se de o fazer da melhor forma: não se pode separar o sujeito ("Quem escreve" / "Quem lê") do predicado ("constrói um castelo" / "passa a habitá-lo") por uma só vírgula. Bem digo isto aos alunos! Fico com mais um exemplo (mau) para ilustrar o caso (a não repetir).
      De novo, no melhor pano cai a nódoa!
      Com uma imagem tão encantatória, aposto que a torre de livros vai ter o mesmo fim da torre de Babel.
      (Com Photoshop ou Paint, ainda se vai a tempo de eliminar os excessos).

     ... mas há castelos que parecem ser de areia, sujeitos ao pior dos ventos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Festa!!!!!

      Hoje foi dia de aniversário e da centésima lição. Dois coelhos (metafóricos) para uma cajadada (nova metáfora) só!

       Vai um professor pelo corredor fora, a preparar-se psicologicamente para nova aula, e, ao abrir a porta da sala de aula, é impedido de entrar.
      Tudo foi preparado para celebrar dois momentos felizes, mais um: o de não haver a típica aula. Três em um!
    Entre balões, fitas de carnaval, bolo e sumo, registou-se, mesmo assim, o sumário: "Celebração da centésima lição. Convívio e animação". Sopradas as velas - umas para o aniversariante, outras para a centena de aulas -, foi tempo de cortar o bolo e de o comer. Era delicioso; a companhia, também.
     Alguma música, q.b. Ainda se falou de "trance", mas os vizinhos (mais uma metáfora) não podiam ser incomodados com decibéis fora de comum (não fossem entrar em hipnose). Logo, ficou-se por versões bem mais "light".
      Para memória do evento, registou-se no quadro o seguinte apontamento, entre várias outras anotações:


      Não escreveria melhor.
      A vida é séria, o trabalho também e uma festinha às vezes sabe muito bem.
  O bolo merecia fotografia; porém, como faltava a vírgula do vocativo (para chamamento do aniversariante), o professor de Português atribuiu má nota à escrita; classificação excelente no sabor!

   Agradecimentos a todos os que tornaram possível o momento de confraternização e que contribuíram, no final, para a limpeza devida.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Mau exemplo no serviço público do 'Bom Português'

      Hoje, o mau exemplo repete-se, para mal de todos os escreventes.

    Na rubrica 'Bom Português' do programa 'Bom dia Portugal' (que já por si era título que devia levar vírgula, a bem do vocativo que o fecha), o locutor começa por indicar que não há dúvidas de que amanhã é sábado (Graças a Deus!). A seguir, lá vem a habitual voz-off abrir o espaço para a questionação dos transeuntes, proferindo o seguinte enunciado: "Com o Acordo Ortográfico, a palavra sábado escreve-se com inicial maiúscula ou minúscula?"
     Sobre a diversidade de respostas dos inquiridos, registo o facto de haver respostas para todos os gostos (nomeadamente, o do senhor que diz estar "habituado ao antigo" que nunca o foi - ou seja, à grafia com maiúscula). Impõe-se, portanto, a indicação da hipótese correta, pela exibição gráfica de uma bolinha verde a marcar a resposta aceitável.


      E, pelo que se dá a ver, até aqui fica tudo bem. Contudo, no melhor pano cai a nódoa!
     Lamentável é mesmo o que se ouve, à medida que é mostrada a imagem acima: "Os nomes dos dias da semana passam a ser escritos com inicial minúscula." Apetece mesmo responder à simpática vozinha e dizer: "Não, menina. Não passa nada. Sempre foi. Nesse aspeto o Acordo Ortográfico não altera coisa nenhuma".
      Oh, santa paciência!

    Neste caso, interessa dizer que o silêncio seria de ouro e que a voz-off caladinha, ao jeito do cinema mudo, fazia melhor figura (isto só para mencionar quem dá a voz ao que lhe fazem chegar erradamente às mãos, ou aos olhos, para ler).

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Informações úteis com erro na língua

    É sempre positiva a informação antecipada, que ajuda o cliente - particularmente em época consumista como esta.

    Pena que este seja o exemplo da informação necessária na sua pior forma:


    Isto de confundir a terminação de um verbo (não separada da base verbal) com a contração de dois pronomes ('me' e 'os', separados por hífen) está a tornar-se incorreção comum na língua, já tratada de forma sistemática nesta "carruagem". Bem ensino aos meus alunos que, sempre que puderem colocar um 'nós' antes de verbo conjugado na primeira pessoa do plural, não há separação do 'mos' associado à terminação verbal.
     E, já agora, os meses do ano escrevem-se com minúscula, a não ser que estejamos com uma empresa adepta de ortografia associada ao antigo acordo (que, ainda assim, não pactuava com erros como o primeiro).
     Por fim, uma virgulazinha no final da primeira linha, a marcar a presença do vocativo, também não ficava nada, mas mesmo nada mal.

     Espero que a empresa em questão não tenha contratado um aluno meu que possa ter sido responsável por tão infeliz registo escrito. Valha apenas a utilidade da informação.