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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Está para chegar (novo ciclo)

      Depois da despedida (saída), a entrada.

       Fecha 2025; abre 2026.
      Entre um e outro, entre o balanço e as expectativas, parte-se para novo ciclo, no alinhamento do tempo, dos caminhos e das passagens, que se cumprem em percursos, mudança e esperança.
     Com música,... a lembrar harmonias no final de um ano e o desejo de união e amizade para um outro:

Uma balada de bondade e amizade, que começou por ser uma secular cantiga escocesa (para os que migravam)

        Eis a letra cantada:

Should auld acquaintance be forgot,
and never brought to mind?
Should auld acquaintance be forgot,
and auld lang syne?

For auld lang syne, my dear,
for auld lang syne,
we’ll tak’ a cup of kindness yet,
for auld lang syne.

And there’s a hand, my trusty friend!
that gives a hand to thine!
we’ll tak’ a cup of kindness yet,
for auld lang syne.

      Com outros versos, num grafismo sugestivo de movimento, afirme-se novo ciclo que se (re)abre a cada estação, a cada vivência que vale por isso: por se orientar para a vida.

Movimentos na direção de mais um ciclo (poema VO) 

     Virá o momento em que os "bons velhos tempos" darão lugar a nostalgia, a saudade de um bem passado, inspirando presente e futuro, no que há de bom a lembrar, a viver, a conseguir.

      Um bom 2026 para todos. Com saúde, união, bondade e amizade, na humanidade e no humanismo de um mundo que pode (sempre) ser melhor (se baseado na verdade e na dignificação dos seres).

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Versos antigos para foto recente

        Versos velhos para foto nova.

        Foi o que deu ir ver o mar (da Granja).

Dezasseis anos depois, apliquei antigos versos a um novo olhar, feito foto (foto VO)

       Agitado que estivesse, não chegava ao fogo que o dominava.

      Regresso a casa, sem o fogo nem a força que a noite escondeu.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

50 anos com Laranjeira(s)

       Primeiro dia de aulas, meio século depois.

      Quando neste dia abriram as portas do edificado construído para o então designado Liceu Nacional de Espinho, houve certamente um entusiasmo que, hoje, foi traduzido em festa e num conjunto de iniciativas que tanto serviram para lembrança como para afirmação de um presente com futuro.

A pedra oficial, porque gravada com o ofício anunciador da abertura da escola onde seria alocado
 o Liceu Nacional de Espinho em 1975 (ofício assinado pela professora Maria do Céu Beato Oliveira Dias de Sousa, 
presidente do Conselho Diretivo Provisório - Foto VO)

       O anúncio à comunidade fez-se à entrada, não fosse o facto de (ainda) se desconhecer o tema de um plano de atividades que viu a celebração do meio século da revolução de abril (em 2024-25) transformar-se nos "50 anos: do Liceu ao Agrupamento" (em 2025-26).

50 anos depois: no mesmo lugar, mas com uma escola requalificada (Foto GIC)

     Entre as várias formas de festejo (na escola-sede do agrupamento, bem como nas restantes três unidades orgânicas), regista-se a plantação de laranjeiras nos espaços escolares, nomeadamente na Escola Básica Integrada Sá Couto (EBISC): dez árvores à espera da flor e do fruto, convocando o jogo antonomásico que o sobrenome do atual patrono (Manuel Laranjeira) possa evocar.

Plantação de laranjeiras na EBISC, unidade do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira 
(montagem fotográfica VO)

     Seja este mais um sinal da identidade e pertença do agrupamento, assim homens e mulheres queiram e a natureza permita. 
       Fique em verso o que a inspiração deu:

Lembrando o lema do blogue: "Faz da palavra a flor, do ato o fruto 
e saciarás os que aspiram a mais do que este mundo oferece: realidade em demasia e luz de fantasia"

       Cumpre-se o tempo com sinais de lembranças, de homenagem que muitos (re)vivem já no caminho a fazer para o século.

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

A precisar de açúcar...

    Logo eu que o devo evitar!

    Olho para o pacote de açúcar (há-os com muita sabedoria) que me oferecem com o café e...


    Penso neste mundo que apela à paz e só cria guerras (Paciência!)
    Penso num tempo que se encurta a cada instante (Paciência!)
    Penso na maravilha que desilude, se revela sufocante (Paciência!)
    Penso nos lugares e nas pessoas que perdi, outras eras (Paciência!)
 
    Penso como aqui cheguei, em desassossego, sem querer (Paciência!)
    Penso na chuva que o céu dá e a terra quer, mas incomoda (Paciência!)
    Penso no dia que não chega para o tanto que há a fazer (Paciência!)
    Penso no fim de semana que está para chegar, mas demora (Paciência!)

    Penso naquilo que dizem que só que falta e que já é muito (Paciência!)
    Penso no urgente que anunciam com bastante antecedência (Paciência!)
    Penso nos muitos que são, num instante tornados poucos (Paciência!)
    Penso no prazer pensado, roubado por uma real iminência (Paciência!)

    Penso no sol que se foi e tornou as angústias mais frias (Paciência!)
    Penso na manhã cinza que anuncia noite rapidamente mais escura (Paciência!)
    Penso no cansaço sem o alento ou o tempo do merecido descanso (Paciência!)
    Penso na chávena que terá de multiplicar-se noutra, futura  (Paciência!)

    Penso no sorriso que vai disfarçar a o desgaste, a saturação (Paciência!)
    Penso na força que só vou encontrar nalguns, entre razão e coração (Paciência!)
    Penso que tenho de me despachar, pagar e no trabalho entrar (Paciência!)
   Penso que, no vaivém de tanta lida, terei apenas lembranças do mar (Paciência!)
    
     Depois de tanto pensar,...

    ... levo-o comigo porque preciso DELA (qual é a coisa, qual é ela, que até na foto parece desaparecer?)
      A precisar de me inspirar e de a inspirar (segundo o pacote).

quinta-feira, 21 de março de 2024

Já foi a 21, agora dizem que é a 20

     Seja o dia que for, é Dia Mundial da Poesia.

   Ontem, alguém me dizia "Amanhã, temos poema". As palavras, ao som de alguma "diretividade" disfarçada de constatação futurologista, ecoaram na mente como dever a cumprir.
   Hoje deu-me para isto, nuns breves minutos de final de tarde, para descomprimir:

Composição poética com Vivaldi a acompanhar

    Deus me valha, mais a generosidade dos leitores. Já da música, é do melhor barroco para a celebração do dia.

     Perdoai-o, Senhor, que ele não sabe o que faz (com tanto que há para fazer)!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

No dia dos namorados, fui ao "Jardim dos Poetas"

       Acima de tudo, dia e tempo(s) que precisam de afetos.

    Na sequência de um projeto numa turma de 1º Ciclo, fui convidado para inaugurar o 'Jardim dos Poetas'. O dia é marcante, o projeto é artístico. Não há como recusar. Daí à ideia de trabalhar uma oficina poética com crianças do 3º ano (turma A da Escola Básica Integrada Sá Couto - EBISC) foi um pequeno passo.
     Um canteirinho com plantas para cuidar deixava ver alguns poemas entre o colorido natural. Assim se faz florescer o "namoro" com os poetas e a poesia. Entre os reconhecidos, inclusivamente o patrono da escola, havia outro que só o é por lidas bem distintas do labor poético.

O "Jardim dos Poetas" construído sobre livros e leituras do 3A da EBISC

      Inaugurado o "Jardim dos Poetas", houve partilha de poemas lidos a uma e duas vozes, com nomes que o tempo notabilizou: Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Rosa Lobato Faria, Luísa Ducla Soares, entre outros.
    Não podia deixar de corresponder. Pensada a construção de um poema para a ocasião, a produção de um separador para lhes ofertar, tudo começou com a distribuição aleatória de palavras (as finais de cada um dos versos produzidos) entre as crianças. Tiveram de explicar se elas mantinham ou não relação com o "espaço" inaugurado. Trabalhou-se vocabulário, exploraram-se universos de referência, desenvolveram-se raciocínios e procuraram-se afinidades entre as palavras: as que se aproximam, as que se distanciam, as que rimam, as que têm sentidos múltiplos, as que revelam combinatórias sugestivas.
     Foi a turma posicionada aos pares, na ordenação do texto, de modo a que todos os alunos lessem quadras - um para cada verso findado com a palavra detida na distribuição feita. Apresentaram-se, no total, cinco quadras do poema oferecido.
     Como são vinte as crianças, a sexta estrofe (quadra final que sobra) vai ser minha - com a minha leitura passar-lhes-ei o desafio de serem elas próprias poetas do e no jardim inaugurado.

Das palavras ao poema (no "Jardim dos Poetas" do 3º A da EBISC)

Separador com "toque poético" na combinação de palavras... e não só.

    Produzindo uma quadra, poderão plantá-la junto daqueles que, no canteirinho, aspira(ra)m a um mundo melhor, mágico, artístico, onde os afetos, as emoções jogam com razão, coração e imaginação.

     Com o agradecimento à S. F. que lançou a semente no "jardim". Assim passou a lição no meu melhor momento do dia: a de um namoro possível com o jogo poético, com a poesia.

domingo, 24 de dezembro de 2023

Por mais este natal

      Chegada a noite, venha o dia.

      Nas assonâncias e dissonâncias da língua, nas lógicas analógicas do pensamento, nas afinidades e nos contrastes poéticos inspirados nas regularidades e irregularidades da vida, escrevo:

Votos natalícios (Foto e texto VO)

      Cumpra-se o que é preciso para lidar com os dias imprecisos e tenha-se a certeza do melhor que se faz para os tempos incertos.

      Um bom natal para todos.

sexta-feira, 24 de março de 2023

Ilha, terra / céu, luz e mar...

      Depois do cansaço do dia, só o café trouxe a energia que já não tinha.

     No desconcerto do momento, olhando as ondas e o cinzentão do final de tarde, peguei numa caneta e rabisquei o canto de uma folha impressa, já usada, mas ainda com espaços para rascunhar ideias, soltas, vagas, à espera de um sentido que não tenho de ser eu a dar.

Palavras, imagens e sons com alguma poesia (texto e filme VO)

LIBERDADE E CLARIDADE

Há quem se perca e se prenda na ilha.

Cada porto é chegada a nova terra.
Cada ilha se faz terra para novo mar.
O céu está além, para as estrelas.
Nem sempre se dão a ver; estão lá.
Dissipada a névoa, fugidas as nuvens,
limpo o céu, aquelas brilham, ainda.

Presença de luz invisível no vazio
Da escuridão instalada, cá na terra,
Sem sol nem claridade. Só dor.

Há que fugir da ilha. Banhar no mar.

     Sem bagagem, lancei-me na viagem. Não sei onde vou dar ou parar.

     Tempo de caminhar rumo à luz.

sábado, 22 de outubro de 2022

Pomba negra

         Pelo que não se alcança e tanto se deseja.

      Os tempos estão difíceis, por mais que se tematize o ano como sendo de paz e de harmonia globais (como, por exemplo, o faz a Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias [IFLA], organismo internacional que representa os interesses dos serviços de biblioteca e informação e dos seus utilizadores ou usuários). Tudo parece ficar pela intenção, pelas palavras, sem os atos.

POMBA NEGRA
À falta de pomba branca ou do que ela representa
Queria pintar-se da brancura que,
negada na cor, dá sempre espaço
a todas as outras - qual solitário braço
ansiando por abraço; por toque
feito de Amor, lembrando regaço.

Queria o voo azul, livre, solto,
sem a ameaça de opacas nuvens
ou sombria noite; sem as passagens
de ruidosos e bélicos aviões velozes
ou de impulsionados mísseis algozes.

Queria planar sem pressa, ao vento,
esperando pelo ritmado bater de asas
a cumprir distâncias, viagens rasas
às copas, aos telhados, à humanidade.
Seria esta a sua instintiva felicidade!

Passado o espaço, cumprido o tempo,
chegaria ao pouso, ao ninho sedento
de paz, conforto, cuidado, alimento.
Cega à nascença, teve a visão capaz
de que nem todo o Homem se vê sagaz.

Seria assim menor o negrume,
maior a tonalidade da esperança:
ter no céu pássaros em volante dança.
Porém, há dor, ferida, fogo, lume
a arder, a queimar quem, na terra,
brinca com o poder e deste faz guerra.

Espinho, 22-10-2022

         Estranha esta pomba, que mais parece humana, nos desejos e nas vontades, relativamente àqueles que, na terra, se dizem feitos de poder e de razão.

         Bom seria que a pomba (branca, negra ou de qualquer outra cor) em paz volteasse, de novo, os céus da humanidade.

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Espírito novo (apesar do cinza)

     Há dias para tudo, nomeadamente para recriar versos (que já tiveram reversos).

     Com maior ou menor esperança, as palavras espelham um estado de espírito que, ora fechado, ora aberto, nem sempre traduz o que é celebrado. Valha o dia de sol claro, limpo, a convidar à festa da liberdade, da vida e, de novo, com esperança.

            ACINZENTADA MEMÓRIA

Monumento ao 25 de abril, Espinho (Foto VO)
Do cravo em pedra,
sem a rubra cor,
apagou-se o sangue,
secou o vigor?

Da revolução,
a memória fica,
lembrando a canção...,
o povo que grita...,

a arma a dar flor...
Renovado o tempo,
nascida a manhã,
no sopro do vento,

a sã liberdade
vive-se na cidade.

Em dia cinzento,
vejo um monumento:
voam as gaivotas
só no pensamento.

No duro betão,
há ondas de mar
plantadas no chão,
subidas ao ar.

Qual fénix em cinzas,
Esperança, vinhas...
Fica. A vida alindas.

     Hoje, mais do que a liberdade do dia, importa a esperança de sempre.

     Chamo-a, porque a caixa de Pandora não pode manter-se fechada.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Caminhos naturais

     Depois da caminhada e do registo fotográfico, umas parcas linhas.

     Podia ser uma fita de cinema, mas saiu escrita para poema. E, assim, deixam de ser linhas e passam a versos (sem reverso).
     
       CAMINHADA

Há um caminho, um trilho,
atravessado por um riacho
que, antes de ser rio, chega ao mar. 
É neste que pouso o meu olhar.

Entre areia, pedras e rochedos,
limpo-a dos pés;
pontapeio-as a cada passo;
sento-me neles a descansar.

(Instante para pensar.)

Estou mais alto, mais perto do céu.
Limpo-lhe as nuvens, seco-lhe a chuva.
Deixo ficar o azul.

Esqueço tudo o resto.
Lavo a alma de qualquer dor ou protesto.

Fecho os olhos, ergo a cabeça, sorvo o ar.
Salga-se a mente. Vou adiante.

Para trás fica o que foi.
Da ventura não vou atrás
(por não ser certa, ser incapaz.)

Sigo com céu e mar.

   Assim o afirmava António Machado, poeta castelhano, no livro Campos de Castilla, numa estrofe de "Proverbios y cantares": "se hace camino al andar" (traduzindo: "o caminho faz-se caminhando").

      Nada como continuar a tirar as pedras do caminho. E ver que há razões mais fortes para caminhar.
      

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

(Re)viver o Natal, a saber a mar.

      O Natal já passou!

      Repete-se, sempre que é possível juntar amigos, ainda que à distância desejada para o bem de todos.
    A vontade dos abraços é grande, os sorrisos e as gargalhadas estão mais contidos, mas escapam sempre aqueles ou aquelas que aquecem o momento.
    O convívio é controlado, mas o instante das trocas de prendas é sempre o mais confuso, por causa do entusiasmo de dar e receber - trocar na vontade do que se fez, do que se comprou, do que se escolheu para o(s) outro(s) que faz(em) parte de nós. É como se revivêssemos esse tempo genuíno da infância e da ânsia de descobrir o que está dentro do embrulho. Rasga-se o papel, abrem-se os sacos, revela-se o que é, agradece-se e promete-se que, no próximo ano, vamos repetir tudo bem juntos (o que já é impensável não acontecer).
    Veio a "Prenda natalícia", como muito mar (que rima com amar - esse sal de vida a temperar a amizade). O verdadeiro natal é estar(mos) junto(s) e dar o que saiba a mar:

Um natal tão típico no atípico que foi - montagem de fotos (VO)

         Com Covid, sem Covid, não interessa. Desde que aconteça!
      (A trabalheira que me deu ir à praia, apanhar conchas e substituir aqueles típicos papeluchos a indicar 'De:...' e 'Para:...'! Que me perdoe o comércio destes tempos, mas gosto mais, é mais natural e também gratuito. Escreve-se o nome dos amigos e sempre se dá uma prenda com um pouco de praia, de mar, a lembrar verão, nestes dias de inverno).

     Já lá vão três dias; mas Natal é quando o Homem quiser (na companhia daqueles com quem queremos conviver)!

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Esperando na caminhada

     Ainda por Valbom, junto ao Douro.

     O momento da caminhada deu para captar uma imagem, tornada fotografia.

    Nas margens do Douro - Valbom (Foto VO)  

      ESPERANDO NA CAMINHADA

No curso do rio,
há um bote sem barqueiro
olhando a margem.

Flui o fluvial leito...
Dois cabos prendem 
o boiante lenho.
Não há motor que o leve.
Não está para breve
singrar na corrente.

O ramalhar da árvore,
o áspero tronco lá estão...
Pedra, terra, arbustos secos,
alguém à espreita, mirando.

Nas cores da estação, 
há luz, calor, tons
para que o ânimo revigore.

Quando a partida acontecer, 
soltos os calabretes,
rumará a pequena barca
ao sabor de ondas e ventos.

Saiba o catraeiro navegar,
escolhendo os combadouros,
a evitar águas e sopros agitados
- sem espinhos nem louros,
mas com céu de sol e de luar.

        No curso da vida, há tempo para as palavras e há de vir o tempo salinado do mar. 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Depois de trabalhar e antes de trabalhar

      Eis um intervalo, no retrato de um fim de tarde...

      Qual tela que não precisa de tintas ou pincel, a paisagem dá-se a ver colorida e inspiradora.

Retrato pintado pela Natureza (Foto VO)

      Há camadas de cor
      Há barcos no horizonte
      À espera de entrada no porto

      Há tons de céu e de rocha
      Há olhos de sono e de sonho
      À espera de um café tónico

      Há um empregado a vir e a ir
      Há regresso e, de novo, partir 
      À imagem da ondulação do mar

      Quero a cor, o horizonte
      o porto, o céu, o sonho, o café

      Há um novo dia a preparar
      Há tempo para descansar
      À hora do dia a findar

     Tomado o café, tira-se a foto, tão feita de cores novas e revigorantes, e há que regressar a casa para, de novo e ainda, trabalhar.

     Um momento para apreciar e deixar-me levar pelo retrato, partilhando-o com quem não o possa ter.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Plano de sobrevivência (em tempos com planos de contingência)

      Saturação. Necessidade de parar. Vontade de me libertar.

(Registos fotográficos da caminhada - Fotos VO)

      Porta batida para apanhar ar. Não o da casa, mas o que é mais livre na natureza e na rua.

FIM DE (MAIS) UM DIA

Hoje, a poente

Saída em fim de tarde
Uma palete de cores diversas
Instantes vários para um pôr-de-sol
Locais distintos num só caminho
Distância a deixar ver o mar

Uma neblina e uma aragem frias
Fecho de um dia com a noite a escurar
Sol pondo-se, Lua a assomar

Avenida com pontos de luz
Postes alinhados pela via

Tempo de regresso, para uns
Turno de entrada, para outros
Vaivém de todos na vida

Mar de rosas com mar picado
Espinho(s) sem lenho, sem flora

Céu camaleónico
Dourado tornado flamingo


Árvore de pé, em terra
Ondas espalhadas no oceano 

Passo(s) para casa
Entrada às escuras

Luz, lume, leito

Outro final de tarde
Noite anunciada
Amanhã prenunciado
Numa luz a fechar
Para reacender
A nascente


    Pintada a tela, não foi mais preciso o pincel. Não é este o tempo da pena. Fiz do pensamento papel e fui imaginando linhas que aspiravam a ser versos.
      O teclado deu a ler a criação.
    As imagens inspiraram - momentos de uma caminhada que ficou longe da estrada, por ansiar o mar e o areal; por esperar do céu a cor, um guia de luz ou as estrelas de um firmamento a descoberto, limpo, prenunciador de dias mais claros.
    Se pudesse, despendurava as nuvens ameaçadoras dessa claridade; aquecia o frio, para que deixasse de o ser; compunha o tempo à medida da existência e sobrevivência seguras, para que não fossem necessários planos de contingência.

  Não quis frases. Dão muito trabalho. Só tópicos, apontamentos, notas a fechar e a (re)abrir o ciclo.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Nós contigo

       Hoje, o pensamento deu em versos.

       Assim se quer. Assim se sente. E tudo o mais é o que a vida faz.

Resiste,
Persiste.

É bom ver-te


Rir das nossas graças,
Apesar da dor, do desânimo
Gravados no teu pensamento.

Persiste.
Resiste,

O que vivemos
É para lembrar contigo,
Hoje, amanhã e ainda depois…
A todo o tempo, aqui, ali e longe.

Resiste,
Persiste.

Temos-te agora,
Queremos-te mais tarde,
Para que todos vejamos futuro
A cada passo por ti vivido, sobrevivido.

Persiste,
Resiste.

Dás-nos a graça,
A alegria de te rever;
De te sentir ainda feliz, agora
Ou no reencontro prestes a acontecer.
Resiste,
Persiste.

Vemo-nos em ti,
Nessa luta diária, sempre
À procura da vontade, da saída
Para os árduos (des)caminhos da vida.

Persiste,
Resiste.        


       Assim o queiras. Assim o sintas. E tudo o mais é o que a vida te der.

       Assim vamos, a cada dia vivido. Todos.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Um Natal que está para chegar

    Alguns dizem que já chegou há muito!

   Talvez pelas compras, pelos presentes, pelas filas nas lojas, pela azáfama dos preparativos do jantar ou da ceia. A iluminada reunião far-se-á, contudo, na noite escura que chegará. Com mais ou menos embrulho, saco ou laçarote colorido, os fumos das cozeduras mais os cheiros das frituras e doçuras estão para aparecer e animar as casas, cujas janelas embaciadas piscam à luz dos pinheiros enfeitados ou dos candeeiros da rua acesos.
     Hoje, com os votos de boas festas, dou a saber que me cruzei com o Pai Natal:














(Re)Encontro com o Pai Natal,
pelas ruas de Espinho
(Foto VO)


     Cruzei-me com o velho Pai Natal
     numa concorrida rua de Espinho.
     No vermelho e branco do mural,
     faltava o verde tom do azevinho;
     não o da esperança, tão especial,
     adocicada de calor e de carinho,
     no seio de família una, tão igual
     à que de Nazaré a Belém fez caminho.

     Assim (re)nasce o menino, afinal:
     a todo o tempo, com pão e vinho,
     festeja-se, em espírito fraternal,
     a vinda de novo ciclo, tão alvinho
     quanto o inverno queira dar sinal.

   Não vi as renas, não trazia prendas para ninguém, piscava-me o olho e fazia-se pintado de um pensamento a lembrar presença e família.

     Preparando a noite da consoada, sejam a presença e a família razões para ela ser mais celebrada. BOM NATAL!

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Esquecer o tempo... entre o tudo e o nada.

     É para amanhã, é para hoje, é para ontem...

     A urgência de tudo, porque tudo é importante e tudo é tudo!!!

     Eu, no meio de tudo, não sou nada.
     Começo a sentir que não dou para tudo.
     É tudo muito e eu sou pouco. Sinto-me nada!
     Talvez pretenda tudo, mas estou a achar que mais vale não querer nada.
     Paro com tudo, não faço nada. Fico a olhar o céu, as nuvens...
     Do sol, nada. Tudo molhado pela chuva.
     Até que ele aparece e, do nada, tudo fica diferente.


Paisagens marinhas com um toque de nuvem e sol (Fotos VO)

     As nuvens passaram, a dourada estrela deixa-se ver e torna-se tudo no momento.
     Em tudo o céu, o mar e o dia ficam melhores. Não é preciso mais nada.
     Se me disserem que isto não é nada, agora, eu grito que é tudo.
     Este deixar-se ficar no nada é bom. É tudo!
 
     Tudo começa a ser tão imenso para mim...
   
     Este pedacinho de nada foi tudo o que consegui nas últimas horas.
     De um lado para o outro, com tudo por fazer,
     Nada ou quase nada consigo resolver.
      Amanhã vou arrepender-me por não ter, por momentos, feito nada.
     Tudo me vai cair em cima.
     Nada posso já fazer, por causa do tudo que quis v(iv)er.

Sol escondido na nuvem, a brincar com o céu e o mar (Foto VO)

     Contudo, este momento de nada é bálsamo para tudo.
     Espero agora tudo cumprir para que nada fique por concluir.
     Talvez não tenha tempo para nada, mas foi um instante de tudo e nada.

     Tudo podia ser diferente!
     De nada adianta lamentar.

     Nada para já; tudo para depois...
   
     Por agora é tudo. Volto ao que hoje já devia estar pronto ontem. Por ora, nada!

sábado, 14 de setembro de 2019

Pôr do sol carregado

      Carregadíssimo de nuvens, como se fossem desabar no mar.

      Ao fim do dia, as cores são tão inspiradoras...
      Talvez não sejam da intensidade já colhida, mas atraem o olhar e guiam as mãos na (re)construção do instante.

Junto ao mar na Granja - (Foto VO)

      Depois da foto, a escrita...

     INSTANTÂNEOS

     Escuro... bem escuro...
     A luz está para o horizonte.
     Não sei o que dizer do futuro.


     Creio nele, nas águas de uma fonte.
     Quando secarem ou o travo for impuro,

     O mar abrir-se-á a novo céu, outra terra, alto monte,
     A longo caminho feito de cada passo sentido como inseguro.

     Há de vir mais um dia. Erguer-se-á uma outra ponte

     para novo tempo, espaço e ser mais maduro.


     Não sei se esta será uma reflexão sobre o tempo, se uma marca da existência. Talvez seja apenas o registo de um momento sensitivivido.

      Versinhos para fechar mais um instante deste dia.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Um presente... natalício

    Na véspera de mais um Natal, sem (des)(en)canto,...
   
    Mais um ciclo prestes a fechar, para que um outro se abra. É ainda Natal. Em qualquer registo.

Presente natalício (Foto VO)

    Do presente, que é tempo e que é dádiva, se faz também o lugar e a pessoa cumpridos a cada nascimento. E pode ser o do mais bonito poema de Natal.

    ... que este seja o presente de cada dia - porque o Natal é quando um Homem quiser.