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domingo, 19 de julho de 2026

Manipulações

     Não são feitas com mãos, mas com tecnologias "de ponta" (aguçada por intenções dúbias).

     A circulação de uma foto com legenda televisiva imprópria (porque manipulada por Inteligência Artificial - IA), e com impropério, dá conta de como a palavra "pauta" se aproxima bastante de uma outra, retirando-se o grafema 'a' da primeira sílaba. O certo é que o confronto com a emissão do programa difundido quinta-feira passada (dia 16) permite confirmar que de "pautas" se fala e se escreve, sem qualquer confusão possível:

A prova do que o Ministro admite: as pautas; não o que outros querem dar a ler (Foto VO) 

     Contrastada a foto mencionada (que evito expor pela leitura explícita do que nunca realmente existiu) com a agora apresentada, seja para quem se ria / ri da situação seja para quem via /vê o que não pode ser lido, fica o aviso: o assunto motivador da brincadeira não merece o tratamento dado, por um lado; lamentavelmente, atesta-se que não se pode acreditar em tudo o que se lê, por outro. Há que confirmar as fontes, e a que é necessária está ao alcance de muitos, recuando-se no tempo e verificando-se o que foi efetivamente escrito na legenda do canal televisivo "Now" (fosse outro e diria que havia matéria para a rubrica do "Polígrafo SIC", dedicada à constatação da veracidade / falsidade de notícias e conteúdos virais). 
       Tal como diria Camões, "vi claramente visto"; melhor, "li claramente lido". Despistada, portanto, qualquer intenção outra que não a do que foi escrito, apesar de a possibilidade poder ser considerada (na base de legendas insólitas já verificadas).
       Tenho pena que, na mesma emissão, ainda abordando o tema da crise dos exames nacionais e a questão da publicitação dos resultados, surja o «famigerado verbo 'meter'» (hoje tão vulgarmente utilizado, mesmo nos contextos em que para tal não deve ser convocado):  

A crise dos exames nacionais a par de uma outra bem mais alargada: 
a do uso da língua nos canais televisivos (Foto VO)

     'Pôr em risco' / 'colocar em risco' perde, com a legenda escrita, a configuração de expressão fixa, pelo recurso de "meter". Lá diz o povo, "entre marido e mulher não metas a colher", o que deve ser relativizado em contextos muito críticos. Eu digo aos alunos que não se mete no quadro, no papel,... Também embirro com 'mete em risco', pela sua coloquialidade ou familiaridade, pouco desejáveis na comunicação social. Entre as expressões e/ou as combinações mais comuns no uso (assumir, aumentar, avaliar, controlar, correr, estimar, evitar, gerir, identificar, minimizar, mitigar, reduzir o risco), o verbo 'meter' não parece ter lugar; evitá-lo-ia, portanto, para que não se 'meta' em lugares / expressões que não se deve utilizar ou se deve evitar.
     Portanto, enquadro 'meter notas em risco' em construções que evidenciam inadequação nas legendas televisivas, a tocar a impropriedade lexical (das penalizações maiores na escrita dos alunos, a par dos erros sintáticos), face ao exemplo que deveriam assumir. 
      Entre os variadíssimos exemplos que já foram contemplados neste blogue, pode já dizer-se que há matéria para demonstrar / analisar tais falhas em vários domínios linguísticos.

      E continua a questão: a da responsabilidade editorial. Não há quem verifique, sugira, corrija, cumpra o que deve ser uma obrigação na difusão correta e adequada da língua (seja lá qual for o canal). 

domingo, 14 de junho de 2026

Nobre causa em língua pobre

       Assim começou a manhã noticiosa: com nobreza e pobreza.

     A nobreza traduz-se na imagem e na ação dos dadores que generosamente dão o que têm a muitos que precisam. Solidariedade fantástica dos dadores, bem como de todos aqueles que cumprem, no seu trabalho, com uma causa que se impõe para a salvação / sobrevivência / manutenção da vida e da dignidade humanas.

Quando a imagem contradiz a legenda, num canal televisivo nacional - RTP Notícias (Foto VO)

       A pobreza encontra-se mesmo na legenda, como se houvesse brigadas contra as populações (ir de encontro a). E o curioso é que ela é imediatamente contradita pela voz da locução noticiosa, assumindo (e bem) que as brigadas vão ao encontro das populações necessitadas (ir ao encontro de).
    Já aqui se apontou, por mais de uma vez, como a simples troca das preposições / contrações dá em significados completamente contrários: respetivamente, o de esbarrar, chocar, ir contra, por um lado; o de aproximar, estar ao serviço de, por outro.

         A deriva do uso da língua (ainda mais em contexto de comunicação de massas), no que à expressão diz respeito, não pode causar incoerência nos atos: tudo vai ao encontro da causa maior; nunca de encontro a ninguém. Persista a nobreza; erradique-se a pobreza.

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Tudo por causa de um saco

    Tempos houve em que reflexão análoga poderia ser sobre os jornais.

    Diários, vespertinos, semanais ou de outra periodicidade, muitos, depois de lidos, acabavam no lixo, mais ou menos imediatamente após reutilização (enquanto papel de embrulho, por exemplo, para não falar do envolvimento do tacho de comida nos piqueniques).
     Hoje, o tópico tem mais a ver com sacos. 
    Sempre que se vai às compras, depois do carrego dos sacos e da arrumação dos bens adquiridos, lá se colocam os ditos num maior, à espera de se lhes dar (novo) futuro.
     Com a festa de ontem, acabei por estar a arrumar sacos: uns para depositar lixo, outros para prendas a dar, alguns para reservar ou mesmo preservar. Entre estes últimos, estão os mais singulares; pode até dizer-se os mais bonitos, para não falar dos mais cultos.
    Sim, há sacos muito cultos. Basta ir à livraria Bertrand, comprar uns livros e... vem logo a vontade de regressar a casa com um saco distinto:

Sem puxar o saco à Bertrand, a venda deste saco é muito apelativa (Foto VO)

     Tenho um alusivo a Pessoa, com versos, pensamentos e imagens que nos fazem admirar a escrita... e o saco.

      Não foi tempo de colocar a viola ao saco, nem de deixar cair o tema em saco roto. Espero não ter enchido o saco ao leitor, mas hoje deu-me para isto - trivialidades -, por ter recebido uma prenda num saco de que gostei.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Indecisões

      Os tempos são, para alguns, de bastante indecisão.

    No sobe e desce das sondagens diárias que apresentam partidos e números de deputados como se fossem resultados finais de eleições (por acontecer), lá vem o elevado número de indecisos que, dizem, tudo vai resolver à hora das urnas.
      Nem os carros escapam, a julgar pela "leitura" de certas matrículas:

Uma matrícula muito indecisa

     Da leitura de letras à da palavra percecionada, até os números parecem instáveis, quando "apanhados na curva".

    Na celebração dos cinquenta anos de liberdade e democracia nacionais, que domingo próximo seja a afirmação consciente de um direito e de um dever que a todos assiste, para calar o circo mediático das sondagens, a cansar a paciência de qualquer espectador televisivo. 

domingo, 7 de agosto de 2022

O elogio (que foi o) de ser filho da mãe

      As palavras têm muito que se lhe diga... e muito para contar.

    Nem tudo o que parece é, por certo. Se o que é tomado por insulto começou por ser elogio, razões houve para que o uso assim o determinasse.
    Conta-o e esclarece-o Sérgio Luís de Carvalho, na base do aconselhamento de um livro (Elogio da Palavra, de Lamberto Maffei) e na explicação que dá a propósito da expressão "filho da mãe":

História do Filho da Mãe (ou de como do elogio se faz insulto)

    Quem diria que, não obstante a condição de bastardia, estaríamos a referenciar relações em que realeza e espiritualidade se cruzaram. Longe desses universos (dos tempos de D. João V e das suas  frequentes paixões freiráticas), atualmente estamos mais para a expressão do insulto, do ofensivo (que uns focam no filho e outros na mãe, para não falar nos que se sentem ofendidos por ela e por si mesmos, alegando ainda assim a defesa apenas da primeira). Um outro claro caso de deriva, variação, evolução na língua, portanto.

      Prova de que as palavras, em particular, e a língua, em geral, são fruto da circunstância de quem a(s) usa, a quem a(s) dirige, quando e onde a(s) utiliza, com a intenção visada. Fale-se de pragmática e, inclusivamente, de pragmática histórica, marcando a variação temporal dos usos.

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Dia Internacional / Mundial da Dança

      Entre os muitos que a consideram como a 4ª arte, para outros é a 6ª.

    Para lá da sequenciação numérica, importa que a dança é uma das expressões da humanidade a conjugar movimentação do corpo com ritmo, num compasso motivado de tempo e espaço. Entre impulsos nervosos e musculares, expressam-se sentimentos; anima-se o espírito, através de passos e gestos, num casamento musical que chega muitas vezes à dimensão da arte.
       É neste âmbito, geral, que o Dia Internacional ou Mundial da Dança é celebrado, há quarenta anos, neste dia, numa data criada pelo Comité Internacional da Dança (CID) da UNESCO, a propósito do nascimento de Jean-Georges Noverre - um dos grandes nomes mundiais da dança nascido em 1727.
 apelando a uma configuração da dança onde também cabem as que dão a imagem cultural de um povo,      Com as suas marcas mais ou menos codificadas em géneros diversificados e recorrentemente combinados (rituais e religiosos, mundanos e populares, guerreiros e de paz, de espetáculo), há danças para cobrir uma grande diversidade de situações - das danças da chuva às da sedução, bem como às do festejo dos eventos humanos,  numa universalidade de causas a todo o tempo convocadas. Desde logo, as do espírito,  as da alma da da busca de poder(es) que, na origem, também evocam o espetáculo, a dimensão do apelo e do mistério sagrado (seja este mais natural seja ele mais associado a entidades mais abstratas). 
     Do sapateado, volteio, balanço, genuflexão, contorção de peito e de cabeça, há uma linguagem, uma gramática da dança que não é estranha à expressão da vida (mesmo quando esta se compõe, também, pelo fim de ciclos).
     Na consciência da passagem do tempo, figuram aqui algumas sonoridades e passos de dança que nos acompanha(ra)m nas últimas décadas:

Estilos de dança contemporâneos ao som de músicas deste e do passado século.

      O escritor e teórico da arte francês oitocentista Charles Baudelaire, afirmou que "A dança consegue revelar tudo o que a música esconde misteriosamente, tendo mais mérito de ser humana e palpável. A dança é poesia com braços e pernas, é a matéria, graciosa e terrível, animada, embelezada pelo movimento". Se a literatura, nas suas origens, tem a expressão poética combinada com a música, desta à dança pouco falta - que o digam as bailias ou bailadas das cantigas de amigo trovadorescas.
       Claro que interessa "Dançar conforme a música" e descobrir que / se "Bem dança a quem a fortuna canta / a quem a fortuna faz som". E se há quem acrescente "Quem pode toca, quem não pode dança" ou "Como se toca, assim se dança", é de constatar que se está perante expressões ou enunciados paremiológicos a traduzir bem esta nossa" dança da vida".

       Numa variação ao "Quem canta seus males espanta", hoje recrio o provérbio "Quem dança muitos bens alcança" - o da animação e o de uma libertação salutar que sejam. 

domingo, 18 de julho de 2021

Despir a camisola

        Há quem goste de vestir a camisola!

      Esta é uma expressão metaforicamente associada à (sublinhado e a negrito) adesão a causas, a princípios, a instituições. Quem veste a camisola é alguém que participa, defende, dá a cara por algo em que, por norma, acredita.
      Depois há aqueles que, com a mania de tudo recusar e na onda negacionista daquilo que é visto e aceite por muitos, acabam por defender aquilo que, à partida (sublinho, à partida), não quere(ria)m. É nestes momentos que se deve tirar a camisola:

Camisola traidora da causa de quem a vestiu (foto colhida do Facebook)

      Pobres de espírito aqueles que não sabem o que fazem: vestem a camisola que afirma o contrário daquilo que os faz sair à rua (volto a sublinhar).
       Concordo: não há ditadura sanitária. Há necessidade, sim, de se aprender a escrever, para que se passe a mensagem. Neste caso, porém, o erro até surte o efeito desejado, com a cara a não bater com a careta.
        
        Não à  (sublinho, repetidamente) ignorância! Leiam, escrevam, aprendam e rasguem a camisola.

domingo, 11 de outubro de 2020

Percebe-se...

       Tudo passa, de facto, a fazer sentido.

    Ainda que público (circulando pelo Facebook), nada como ver como andam as comunicações oficiais.
       A causa é já por si mais do que preocupante, mas há quem a queira tornar mais trágica ainda:

Nota muito desinformativa!

     Percebe-se por que razão o número de infetados Covid-19 está em crescendo: há quem queira IR DE ENCONTRO AO objetivo da segurança, quando o que devia fazer era IR AO ENCONTRO DE. No primeiro caso vai contra (esbarra, mesmo); no segundo é favorável ao objetivo (mais do que consensual). Bem o contrário!
       Erro tão comum quanto desejavelmente evitável.

       Uma simples troca de preposições / contração faz a diferença no significado. E, pelos vistos, há quem não o saiba. Enfim! Há notas muito desinformativas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Coisas do oral (ou de homofonias nos discursos)

      Porque nem sempre o que se diz é o imediatamente entendido.

     Aquele momento em que o enfermeiro pergunta quando aconteceu a última refeição e, com a minha resposta, ele põe aquele ar de quem começa a fazer contas.
    O momento do diálogo aconteceu cerca das 9 horas da manhã. Respondi que tinha bebido o último copo de água à hora e meia da manhã. O olhar e o ato de registo parados eram a razão do cálculo a processar-se: "Ora... seis, sete horas, certo? Foi quando bebeu."
   Nego, mas insisto: "À hora e meia, mesmo. A partir daí não ingeri mais nada".
    Veio, então, o "Ah! Ótimo. Foi à hora e meia do relógio".
    Confirmei. Agora, sim, o tempo certo! Não tinha bebido água há hora e meia, mas sim à hora e meia. 
   Entre a expressão de duração / intervalo de tempo e a da hora precisa do relógio, a diferença é substancial. Que o digam o enfermeiro e a anestesista, mais o paciente; na oralidade, a distinção não se faz. 

     Valha a ortografia para marcar diferenças semânticas e sentidos pragmáticos que viabilizem uma intervenção cirúrgica. Um dia para a história (não da linguística, mas da pessoa operada).

quarta-feira, 1 de abril de 2020

E não é engano!

     Em pleno dia das mentiras, das petas, dos tolos ou bobos, da gafe ou dos enganos.

    Neste 1 de abril, foi o tempo que nos pregou uma partida: depois de dias nebulosos e cinzentos, trouxe um final de tarde cheio de cor:

     Uma só árvore, um só mar, um só pôr do sol, um só caminho (Foto I - VO)


   
 























Uma só árvore, um só mar, um só pôr do sol, um só caminho (Foto II - VO)


       Esta é brincadeira boa, em tempos tão críticos. 
    É verdade que a celebração tem tudo a ver com o tempo, mas numa outra dimensão. Diz-se que esta celebração surgiu em França, onde, desde os inícios do século XVI, o Ano Novo era festejado a 25 de março (a chegada da primavera) e durava até ao dia 1 de abril.
     Com a adoção do calendário gregoriano (1564), o rei francês Carlos IX oficializou o ano novo a ser comemorado no dia 1 de janeiro. Houve quem resistisse a tal determinação e alguns franceses mantiveram os costumes do calendário juliano. Assim se conservava o dia 1 de abril, por engano, por trapaça, por resistência ou por mentira. Houve também quem ridicularizasse a situação, enviando presentes estranhos e convites para festas inexistentes (atitudes conhecidas como "plaisanteries").

     O prazer de um final de tarde como o de hoje deu lugar a fotografia, junto ao mar, numa espécie de, à italiana ou à francesa, celebrar a(o) "pesce d'aprile" ou "poisson d'avril".

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Halloween dos nossos dias

       Esgotado, não tenho ânimo para festas de bruxas!

     Ainda assim, não deixo passar o dia do "Trick or treat!" (a minha costela anglófona tem destas coisas). Uma imagenzinha sugestiva veio mesmo a calhar:

Imagem colhida do Facebook, para mais um Halloween.

       Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência. Cuidado com as bruxas high tech! Ainda podem vir de encontro a nós! Enquanto for às árvores, não há tanto problema.

      Fruto de inspiração nos nossos tempos. Já não há bruxas como antigamente (mas "que las hay las hay").

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Nem de propósito...

      Assim se costuma dizer (e, agora, escrevo) quando de coincidências se trata.

      Ainda há dias redigi um apontamento sobre a música de Mendelssohn, a propósito de "Sonho de uma Noite de Verão". Hoje, no programa televisivo "Joker" apresentado por Vasco Palmeirim (concurso - teste de conhecimento, no qual o concorrente responde a um conjunto de doze questões, cada uma na modalidade de escolha múltipla), alguém fez uma má escolha:

Foto  da emissão televisiva do programa "Joker" (na RTP1)

     Caso para dizer que, se tivesse ido ao Coliseu (no passado dia dezoito) ou tivesse lido o apontamento desta "Carruagem 23", o concorrente teria melhor sorte.

       Não foi feliz este "casamento" musical, a julgar pela alternativa selecionada na imagem.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Mutações

      Sempre desconfiei dos descontos e das promoções.

    Há quem venda gato por lebre, mas fazer do frango porco (ou vice-versa) é novidade do "Continente" (a par de muitas outras, já reconhecidas neste blogue). Para quem não creia em tal, segue-se a prova:


      Confundir um galiforme com um suíno é caso para dizer 'Aqui há gato!' - nada como juntar um felídeo para a confusão ser bem maior (daqui a pouco, em vez de supermercado, teremos um zoo, com alguma variedade animal). Entre cacarejo e guincho, alguma coisa há de resultar (talvez um cacarincho ou um guincharejo, em modo de amálgama); porém, isso não impede de constatar que a bicharada anda louca com tanta mutação (e não é do preço que falo, obviamente).
     É um verdadeiro bico de obra (para bem do frango que o tem). Mas como só da perna se trata, o superpreço deve ser o reflexo de um combinado: em vez de duas pernas de frango vai só uma, com uma só outra de porco para compensar.

     Metade do preço para um dois em um - num cozido à portuguesa até dá jeito.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Pelo andar da carruagem

       Pelo jeito que a coisa vai...

     Expressões sinónimas, por certo; mas com o termo "carruagem" há uma identidade da primeira com este blogue que a segunda expressão não tem. 
      Por mais impressiva que seja a situação, deve ser o resultado de uma visita ao Museu Nacional dos Coches (em Belém), depois de ter visto tanta carruagem, coche, berlinda, coupé, sege, liteira, cadeirinha, vitória, phaeton, landau, clarence, charabã, milords, caleça, carrinha, mala-posta... uma vasta coleção de viaturas hipomóveis usada em cortejos de gala ou eventos sociais relacionados com a arte da cavalaria e jogos equestres.
     Muitos foram os exemplares observados neste novo edifício aberto ao público há cerca de três anos, segundo o projeto arquitetado pelo brasileiro Paulo Mendes da Rocha (prémio Pritzker em 2006) em parceria com o arquiteto português Ricardo Bak Gordon.
      Enquanto a guia explicava, apaixonadamente, as características de cada um dos coches expostos e a evolução ocorrida nos transportes ao longo dos séculos, surgia a indicação do significado original da expressão "Pelo andar da carruagem": à medida que a carruagem se aproximava, os observadores locais deduziam acerca da importância, da posição ou da origem social de quem ia dentro dessa carruagem. Seja pelos materiais de construção seja pela quantidade de cavalos que a puxavam, a carruagem era um indicador de quem nela se transportava (rei, rainha, príncipes, nobre, patriarca,...).

Dos sécs. XVI ao XVIII - coches para todo o gosto (Foto VO)

      O acervo museológico contempla dos coches mais antigos do mundo, como o de Filipe II (III de Espanha) ao fundo da foto, aquando da sua viagem de Madrid para Lisboa, em 1619. A designação do transporte ('kocsi' ou 'koci') está relacionada com a cidade húngara de Kotze, origem da construção dos primeiros modelos, posteriormente exportados para Itália, bem como para todas as cortes europeias.
     O nome do Mâgnimo associa-se a vários modelos aparatosos, um dos quais no primeiro plano da foto supra à direita (Coche da Coroa). Este meio de transporte, embora destinado à realeza e às classes aristocratas, teve os seus exemplares mais faustosos usados em momentos solenes da corte, como casamentos reais, batismos de príncipes, aclamação de novos monarcas, embaixadas ao estrangeiro, deslocação de altos dignitários eclesiásticos, receção de soberanos ou figuras de alto prestígio no estrangeiro. Alguns serviram mesmo para um evento singular.

     Coche dos Oceanos - ao centro da foto, 
ladeado à esquerda pelo Coche do Embaixador 
e à direita pelo Coche da Coroação de Lisboa (Foto VO)

    O Coche dos Oceanos é uma das coqueluches do museu, pela espetacularidade ostentatória e faustosa joanina. Restaurado pela Fundação Ricardo Espírito Santo, é um dos três coches do conjunto de quinze que compunham a embaixada enviada por D. João V ao Papa Clemente XI, em Roma (um pouco à imitação do que D. Manuel I fizera ao Papa Leão X, em 1514). A oito de julho de 1716, D. Rodrigo Anes de Sá e Menezes (Marquês de Fontes) fez a sua entrada pública em Roma, antecedido de um magnífico cortejo que espantou não só a população romana como os reis da Europa, que não se atreveram, nos anos seguintes, a repetir o feito. O próprio D. João V mandou que os três coches, construídos em Itália, viessem de barco para Portugal, de forma a que os olhos reais pudessem confirmar a magnificência dos veículos tão comentada em Roma.

Coche da Mesa ou da Troca das Princesas (Foto VO)

    Também dos tempos joaninos é o Coche da Mesa ou o da célebre troca das princesas, junto à fronteira do Caia, a 19 de Janeiro 1729 (de Portugal saía, para Espanha, a princesa Maria Bárbara de Bragança, filha de D. João V, para casar com o príncipe D. Fernando, futuro rei Fernando VI, de Espanha; chegava a Portugal a princesa Mariana Vitoria, filha de Filipe V, para casar com aquele que viria a ser o nosso rei D. José I) - episódio de que se faz uma narração caricatural no segmento XXII de Memorial do Convento, de José Saramago (MC, 17ª ed., Lisboa, Ed. Caminho):

     «Porém, ainda se encontram famílias felizes. A real de Espanha é uma. A de Portugal é outra. Casam-se filhos daquela com filhos desta, da banda deles vem Mariana Vitória, da banda nossa vai Maria Bárbara, os noivos são o José de cá e o Fernando de lá, respetivamente, como se costuma dizer. Não são combinações do pé para a mão, os casamentos estão feitos desde mil setecentos e vinte e cinco. Maria Bárbara tem dezassete anos feitos, cara de lua cheia, bexigosa como foi dito, mas é uma boa rapariga, musical a quanto pode chegar uma princesa, pelo menos não caíram em cesto roto as lições do seu mestre Domenico Scarlatti, que com ela seguirá para Madrid, donde não volta. […] virá Mariana Vitória, uma garotinha de onze anos, que, apesar de pouca idade, já tem uma dolorosa experiência de vida, basta dizer que esteve para casar-se com Luís XV de França e foi por ele repudiada, palavra que parece excessiva e nada diplomática, mas que outra se há de usar se uma criança, na tenra idade de quatro anos, vai viver para a corte francesa a fim de se educar para o dito casamento, e dois anos depois é mandada para casa porque de repente deu a febre ao prometido, ou aos interesses de quem o orientava, de ter rapidamente herdeiros a coroa, necessidade que a pobrezinha, por inabilitação fisiológica, não poderia satisfazer antes de decorridos uns oito anos. Veio devolvida a coitada, magrinha e delicada, um pisco a comer, com o mal inventado pretexto de visitar os pais, rei Filipe, rainha Isabel, e pronto, ficou em Madrid, à espera de que lhe arranjassem noivo menos apressado, calhou ser o nosso José, agora com quinze anos, a fazer.» (pág. 297)
...


     «... quando D. João V atravessou o rio, no dia oito de Janeiro, para principiar a sua grande viagem, havia em Aldegalega, à sua espera, para cima de duzentas viaturas, entre estufas, caleças, seges de campo, galeras, carromatos, andas, uns que tinham vindo de Paris, outros feitos de propósito em Lisboa para a ocasião, sem falar nos coches reais, com as douradas frescas, os veludos renovados, as borlas e sanefas penteadas. Da real cavalariça, só em bestas, eram quase duas mil, não se incluindo nelas os cavalos da guarda do corpo e os dos regimentos da tropa que acompanham o cortejo. (...) João Elvas só vê cavalos, gente e viaturas, não sabe quem está dentro ou quem vai fora, mas a nós não nos custa nada imaginar que ao lado dele se foi sentar um fidalgo caridoso e amigo de bem~fazer, que os há e como esse fidalgo é daqueles que tudo sabem de corte e cargo ouçamo-lo com atenção, Olha, João Elvas, depois do tenente e dos trombetas e atabaleiros que já passaram, (...) vem agora o aposentador da corte com os seus subalternos, é ele quem tem a responsabilidade dos cómodos, aqueles seis a cavalo são correios de gabinete, levam e trazem as informações e as ordens, agora passa a berlinda com os confessores do rei, do príncipe e do infante, (...) depois aparece a berlinda com os moços do guarda-roupa (...) e outra vez não te espantes com essas duas berlindas cheias de clérigos e padres da Companhia de Jesus (...), aí tens a berlinda do estribeiro-mor, as três que vêm atrás são do corregedor da corte e dos fidalgos da casa de el-rei, segue-se a estufa do estribeiro-mor, depois os coches dos camaristas dos infantes, e agora atenção, agora é que começa a valer a pena, estes coches e estufas vazios que passam são os coches e estufas de respeito das reais pessoas, a seguir, a cavalo aparece o estribeiro-mor, enfim, chegou o momento, põe o joelho em terra, João Elvas, que estão passando el-rei e o príncipe D. José, e o infante D. António (...), e agora podes-te levantar, já passaram, já lá vão, iam também seis moços de estribeira, a cavalo, estas quatro estufas, aqui, levam a câmara de sua majestade, depois vem a sege do cirurgião (...), daí para trás é que já não há muito que ver, seis seges de reserva, sete cavalos de mão, a guarda de cavalaria com o seu capitão, e mais vinte e cinco seges que são do barbeiro de el-rei, dos copeiros, dos moços de câmara, dos arquitectos, dos capelães, dos médicos, dos boticários, dos oficiais de secretaria, dos reposteiros, dos alfaiates, das lavadeiras, do cozinheiro-mor, e do menor, e mais e mais, duas galeras que levam o guarda-roupa de el-rei e do príncipe, e, a fechar, vinte e seis cavalos de mão (...)» (pág. 300-303)

...

     «Caía a noite quando as primeiras viaturas da comitiva de D. Maria Ana começaram a entrar em Vendas Novas, mais parecendo um exército em debandada do que um cortejo real. As cavalgaduras, derreadas, mal podiam arrastar as berlindas e os coches, algumas iam-se abaixo das mãos e morriam ali mesmo, presas aos arreios. (...) Foi uma noite de grande desastre. Quisera a rainha seguir para Évora nessa mesma madrugada, mas foi-lhe representado o perigo da empresa, além de virem atrasadas muitas carruagens, o que resultaria em prejuízo da dignidade do cortejo.» (pág. 306-7)

    Depois, com o século XIX, são tantas as variedades de transporte urbano (basta lembrar a diversidade representada nos romances queirosianos, cruzando as ruas lisboetas) que uma ala do museu é praticamente ocupada com os modelos que a aristocracia, os burgueses e classe média mostravam à sociedade. Fico-me pela malaposta (dos inícios do século XIX), a poder dizer que é o transporte público mais remoto, dado o limite de transporte de dezasseis pessoas, entre a primeira e a segunda classes. Ao povo, restava-lhe o tejadilho, junto com as malas do correio (sem cinto de segurança e sem seguro, não obstante as quedas frequentes no trajeto).

     Num quatro rodas, com motor a gasóleo e muitos cavalos, fez-se o regresso a casa em cerca de quatro horas (saber que há pouco mais de um século, sem a hipótese do comboio, a viagem Lisboa-Porto ocupava mais de dia e meio).

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Verbo 'tar' (só na oralidade com bastante informalidade)

     Lê-se (está escrito) no Expresso Curto, de hoje!

     Já escrevi sobre esta minha embirração: a do verbo 'tar'. Já também sobre ela falei a muitos alunos. E antes que me digam que têm razão, que podem escrever 'tou, tá(s), tamos, tais, tão' ou 'tive, tiveste, teve, tivemos, tivestes, tiveram' na conjugação do verbo 'estar', é bom que se lembrem que na oralidade informal, em casa ou com os amigos muita coisa pode acontecer; com o professor de Português é que não (só em jeito de brincadeira)! Como as aulas e os exames não são para brincar, faça-se a devida chamada de atenção, para que não haja surpresas na avaliação / classificação.
     Todo o excurso surge a propósito da imagem à esquerda e do título lido. Tudo ficaria mais simples se a jornalista em questão colocasse um apóstrofo no início da palavra ('tão), sugerindo que algo (uma sílaba) estaria elidido; ou, então, as aspas convenientes para dar conta de uma citação, de um verso transcrito de uma letra de canção. Não que, neste último caso, não seja de se escrever 'estão'; porém, no contexto de uma letra que sugere uma conversa com um "amigo", com vocabulário e expressões conjugadas com o destinatário e a situação (familiar, cúmplice), tudo se torna mais aceitável. Basta ouvir a canção e, em particular, a letra de Chico Buarque:

Chico Buarque, do álbum Meus Caros Amigos (1976)

         MEU CARO AMIGO

Meu caro amigo, me perdoe, por favor 
Se eu não lhe faço uma visita 
Mas como agora apareceu um portador 
Mando notícias nessa fita 

Aqui na terra tão jogando futebol 
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll 
Uns dias chove, noutros dias bate o sol 
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta 
Muita mutreta pra levar a situação 
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça 
E a gente vai tomando que também sem a cachaça 
Ninguém segura esse rojão 

Meu caro amigo, eu não pretendo provocar 
Nem atiçar suas saudades 
Mas acontece que não posso me furtar 
A lhe contar as novidades 

Aqui na terra tão jogando futebol 
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll 
Uns dias chove, noutros dias bate o sol 
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta 
É pirueta pra cavar o ganha-pão 
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro 
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro 
Ninguém segura esse rojão 

Meu caro amigo, eu quis até telefonar 
Mas a tarifa não tem graça 
Eu ando aflito pra fazer você ficar 
A par de tudo que se passa 

Aqui na terra tão jogando futebol 
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll 
Uns dias chove, noutros dias bate o sol 
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta 
Muita careta pra engolir a transação 
Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho 
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho 
Ninguém segura esse rojão 

Meu caro amigo, eu bem queria lhe escrever 
Mas o correio andou arisco 
Se me permitem, vou tentar lhe remeter 
Notícias frescas nesse disco 

Aqui na terra tão jogando futebol 
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll 
Uns dias chove, noutros dias bate o sol 
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta 
A Marieta manda um beijo para os seus 
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças 
O Francis aproveita pra também mandar lembranças 
A todo o pessoal 
Adeus!

    Com esta modinha brasileira 'tão' e 'tá' fazem todo o sentido, nas palavras (ousadas) dirigidas ao "meu caro amigo", aquele confidente com quem se desabafa, numa intimidade que se pauta pela amizade, pela cumplicidade e pela confiança (mas que não convém a uma ditadura militar brasileira, criticada e denunciada como "esse rojão", para não falar em qualquer outro contexto político brasileiro coincidentemente crítico e adverso). Fora dela, fiquemo-nos pela adequação de uma norma a situações mais regradas e formais - para que a coisa não fique "preta!" As variedades da língua devem ser consideradas no pluriformismo e na versatilidade que os falantes dela revelam, não esquecendo a avaliação, a adequação e o ajustamento que nelas se impõem.

     A bem de quem está em contexto de avaliação e de classificações (internas ou externas) que podem marcar uma vida. (Es)tá?

terça-feira, 5 de junho de 2018

Relações matemáticas

     Da importância da matemática na vida e na língua, já aqui se fez apontamento.

    Das relações mais práticas às mais simbólicas, de tudo se compõe a vida no jogo das letras e dos números. Acrescente-se a geometria, quando se lê o seguinte:


      Perante estas lições de vida, quase diria que se impõe uma 'volta de 360 graus', se não puder ser evitada qualquer uma das anunciadas "geometrias" (ainda que a volta pareça vir dar ao mesmo sítio). Mais vale mesmo 'dar a volta por cima', para ver se tudo 'fica às mil maravilhas' (quantificação com tanto de hiperbólico quanto não se poder fazer outra coisa a ter de se contar as ditas).
      Antes de fazer disto um quebra-cabeças (um verdadeiro "trinta e um") e de dar voltas à "tola" até 'ficar feito num oito', não vou mais longe. Não fecho o assunto 'a sete chaves', nem quero ficar tal qual 'um zero à esquerda'. Simplesmente, não vou fazer disto 'uma espiral de loucura ou de problemas'.

     Língua e matemática têm tanto de aproximação que as provas são já 'favas contadas'.   

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Embirrações

    Reconheço que faço birra com algumas palavras ou expressões. E não são poucas as embirrações!

    Os meus alunos sabem que não suporto o verbo 'meter', particularmente quando não há condições para o utilizar (por exemplo, quando dizem para 'meter no quadro' ou para 'meter no papel' fico com cara de surpreso, ou franzo o sobrolho, por desconhecer como se pode 'meter' em superfícies planas). Eles "metem" vírgulas, "metem" respostas, "metem, metem, metem" espantosamente o que não pode ser metido e muitas vezes em locais inapropriados. Conclusão: embirrei com o verbo 'meter'.
    E quando o texto diz ou fala, por maior que seja a personificação, volto a embirrar. E o "tá (a)qui"?! Eu bem lhes pergunto se estão a falar do depilatório (Taky), mas mais me valia estar calado (porque tenho de lhes explicar a piada e fazê-los saber que há um produto homófono ao que dizem). Era tão melhor dizerem 'está aqui'! Não é por nada, mas sempre haveria a hipótese de não me aparecer o verbo 'tar'.
     Depois é a vez do '(um) bocado'. Eles ficam "um bocado tristes" (dizem) por os chamar à atenção, mas é só por o "bocado" não lhes sair da boca nem da cabeça. Pelos vistos, não só a eles.
    A propósito do início do "Comic con", há pouco tempo lia-se o seguinte, num apontamento do Porto Canal que circulou no Facebook:

'Post' do Facebook que tem "um bocado" que se lhe diga! Prefiro 'algo' (Foto VO)

    Isto de mostrar "um bocado" é caso para perguntar se é coisa que se coma e / ou quantidade acompanhada de qualidade. Duvido. É triste que um meio de comunicação social (se) divulgue com o pior exemplo, em porções, pedaços. É, no mínimo, indigesto!
     Há quem sofra "um bocado"; eu prefiro sofrer pouco ou muito (menos, se for possível). Há quem ache "um bocado" feio, triste ou nojento. Eu acho execrável! Há quem chegue "um bocado" antes do tempo; eu prefiro chegar à hora, mas pode acontecer que seja um pouco antes ou depois, se ninguém ficar algo (e não "um bocado") aborrecido ou incomodado.

   Pergunto: não haverá por aí um herói ou uma heroína que nos livre destas banalidades tão indesejavelmente comuns? Só para eu não embirrar tanto.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Misturas!

    Muitos significados tem a palavra, das misturas mais pacíficas às mais críticas.

    Por ora, uso-a para caracterizar uma reação natural a quem ouve 'O amor é assim', dos HMB com a participação de Carminho. Isto de juntar uma voz do fado com o vocalista Héber Marques (mais Joel Silva, na bateria; Daniel Lima, nos teclados; Fred Martinho, na guitarra, e Joel Xavier, no baixo) como ritmo do soul e do R&B é significativamente inédito:

Vídeo de 'Got Talent - Portugal', na RTP1 (emitido a 20 de março de 2016)

     O AMOR É ASSIM

Eu não sei se algum dia eu vou mudar
Mas eu sei que por ti posso tentar
Até me entreguei e foi de uma vez
Num gesto um pouco louco
Sem pensar em razões nem porquês

O amor é assim
Pelo menos p'ra mim
Deixa-me do avesso
Tropeço, levanto e volto p'ra ti

Eu não perco a esperança
Espero a bonança
E nela avança o mesmo amor
E o tempo é companheiro é bom parceiro
E até já nos sabe a cor
E as voltas que embora nos tracem e eu lá sei
Leva-nos para onde for
Insiste, persiste, não sabes o fim
Mas assim é

Mas será que é mesmo assim?
Dizem que o amor é assim
Há tempo para descobrir

Mas só quero o teu bem
(Quero o teu bem)
E que eu seja o teu bem
(Que eu seja o teu bem)
E tudo nos vá bem
(vá bem, vá bem)
Não quero ficar sem ti

O amor é assim
Pelo menos p'ra mim
Deixa-me do avesso
Tropeço, levanto e volto p'ra ti

Caio e levanto qual é o espanto?

O amor é assim
Assim é o amor

    O facto é que resulta e muito bem. Há cerca de dois meses que já ouço a composição na rádio e, de cada vez, lá elevo o som para ouvir melhor. Uma batida nusical com uma combinação de vozes fantásticas.

     Os puristas do fado talvez não apreciem esta junção; por mim, ficou uma boa canção. Por isso, "Misturas!" é razão para uma boa reação e continuada audição, em balanço de dança e animação.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Tudo ao contrário!

     Começo a ficar ligeiramente farto de ler (ou ver escrito) ou ainda de ouvir o que alguns não querem dizer... mas assim o fazem repetidamente!

     É certo que quem fala /escreve tem uma intenção comunicativa. Pena é que, às vezes (para não dizer frequentemente), digam ou escrevam o contrário do que pretendam.
      Assim o provo com o excerto de uma carta:


      É, no mínimo, estranho (se não for incoerente) tanto agradecimento para quem vai 'de encontro a' um trabalho. Se ainda fosse 'ao encontro de', tudo seria mais explicável. Por norma, só um espírito muito cristão, benemérito ou altruísta é que se mostraria grato àqueles que com ele esbarram.
      Já foi aqui apontado que 'ir DE encontro A' (esbarrar, ir contra) é o contrário de 'ir AO encontro DE' (aproximar, apoiar, estar de acordo com). 

      É verdade: a troca de preposições / contrações dá em significado completamente antónimo. E não é preciso ser perito para chegar a tal conclusão; basta consultar um bom dicionário.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Obra(s) de / para ficar por casa

   Depois do painel dedicado ao mar, vem o da terra.

    Na combinação de umas obras de artista dedicada às plantas com a pintura de umas tábuas e a colagem de umas pedras, assim surgiu o painel com as cores outoniças da terra.
    Além das estrelinhas que me guiam (do painel do mar), passo a ter as folhas que o vento não levou. Secaram, ganharam novas tonalidades. Dispostas numa base de papel colorido e circundadas pelas pedras do areal, passam a cumprir função decorativa.
   À semelhança do painel do mar, o da terra também fica cá por casa, logo à entrada, para lembrar que não há como manter os pés no chão.
  Quem não tem dinheiro para Van Gogh ou Picasso (ou outro qualquer pintor de renome) fica com o que pode ter... ou o que faz.

    Na próxima vou para feira vender o resultado da obra "artística".