sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Cesário Verde: tanta poesia para tão curta vida

      Nasceu hoje quem, com 31 anos apenas, desaparecia do real quotidiano que captou com a impressão que deixou.

      De Cesário Verde diz-se que foi poeta realista, naturalista, parnasiano, impressionista, de um romantismo que se redefine e se deixa marcar por tendências finisseculares. Tudo isto terá sido, não se tendo filiado a nenhuma escola literária. Entre a iniciativa, a observação, a criação individual e os moldes estéticos que concorriam no último quartel do século XIX, ganharam a poesia (no conteúdo e na forma) e os poetas que, no século seguinte, acabariam por reconhecer a mestria e a herança do "pintor de palavras" ou do "escritor do real pintado com impressões".


    Cidade, campo, reflexão social, sensações, percepções impressivas, deambulação, evasão e transfiguração são termos que concorrem para a leitura de uma poesia marcada pela extensão do verso, pela narratividade e pelo descritivismo, num sentido ecfrástico da representação real e da reconstrução / refiguração verbal.
        Seja por efeito do sol, da poeira, das emanações seja pela associação a histórias e tempos evocados, os versos de Cesário resistem à doença, à asfixia, à peste; ao retrato humano degradante que se impõe na cidade e se revê no campo, por mais salutar que este último ainda possa apresentar-se aos que o procuram.

       Deambular, evadir, transfigurar... de momento, só se for com a chuva que pinga na alma.

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