terça-feira, 14 de maio de 2013

Na idade dos porquês... com acentos

      Sabem os pais e os professores o poder da idade dos porquês. Pelo menos alguns.

     Uma colega, hoje, perguntava-me o que podia dizer ao filho (isto está a ficar complicado...!), que chegou a casa com uma situação mal resolvida na escola e a professora do primeiro ciclo a não saber responder à curiosidade.

      Q: Vítor, porque é que o acento do 'a' (o grave) é diferente do outro acento (o agudo)?

   R: Por ambígua ou imprecisa que pareça a questão, os parêntesis (quais didascálias) ajudam a entendê-la e a desmontá-la.
        O acento grave é uma convenção, um acordo para, em termos gráficos (da escrita), se dar conta da presença de uma contração: a junção da preposição 'a' a um determinante artigo feminino (singular / plural) ou a um demonstrativo (seja este um determinante ou um pronome).
       Esquematicamente, poderia apresentar-se ou explicar-se o acento grave (presente à direita, nos três determinantes iniciais e no pronome final) da seguinte forma:


    Fica assim justificada a oposição entre 'Às' (contração) e 'Ás' (nome para carta de jogar), com a existência do acento grave apenas no primeiro caso (como marca da contração).

      Há miúdos que têm muita razão em querer saber o porquê destas coisas: nunca é tarde nem cedo para se aprender.