quarta-feira, 8 de julho de 2026

Regresso à escola (que ainda é minha) em tempo de pausa letiva!

    A propósito da participação nas X Jornadas Pedagógicas, no Agrupamento de Escolas nº1 de Gondomar.

    A convite da Diretora do Agrupamento (Dr.ª Lília Santos), tive a oportunidade de regressar àquela escola que, na minha vida profissional, quase por certo, irá abarcar o maior número de anos em exercício e identidade docente. Marca-se também aquele espaço por emoções e vivências enriquecedoras. Há treze anos que dele saí, em termos de quadro docente efetivo, mas a ele vou regressando, para trabalho como formador, sempre tomado do sentido tanto colaborativo como afetivo.
     Foi um dia preenchido por dinâmicas de formação, tendo sido dinamizados dois workshops: Do Ensino às Aprendizagens (Parte I e II): reflexões sobre práticas pedagógicas. A incidência dos trabalhos, e em jeito de sinopse, assentou em reflexões / demonstrações / simulações com foco em práticas interativas, oficinais, de consciencialização de aprendizagens e de dimensão avaliativa pedagógica (eminentemente formativa).
    Começou-se por discutir o que é aprender, a questão do paradigma das competências revisto nos documentos curriculares em curso (nomeadamente, o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória [PASEO]), das relações entre competências e conhecimentos, dos pressupostos e das implicações focados na aprendizagem por competências, dos modelos de ensino orientados para as competências.
Demonstrações de participação nas X Jornadas Pedagógicas da AEG1 (montagem VO)

     Prosseguiu-se com o que possa ser associado à qualidade das aprendizagens, nessa clara orientação que configura, entre as práticas pedagógicas, a própria dimensão da avaliação. Abordou-se a necessidade de definir / selecionar critérios avaliativos, de construir descritores e de os distinguir segundo níveis de desempenho. Caminhou-se, portanto, no entendimento da avaliação para as aprendizagens (e não delas), da natureza pedagógica da própria avaliação (ao serviço da monitorização e regulação, numa perspetiva eminentemente formativa).
       Exemplificados alguns procedimentos, refletidas algumas demonstrações, partilharam-se também alguns instrumentos e dispositivos relacionados com a dinamização de projetos (por exemplo, cidadania e desenvolvimento) e a ativação de competências transversais (nomeadamente, a participação / interação orais em contexto de aula).
       
       Cerca de cinco horas formando, mais uma ou duas convivendo e lembrando momentos em que o espaço e as pessoas fizeram o afã de muitos dos meus dias (meses e anos). No final, ficam o balanço positivo e a nota de gratidão mútua, pela formação e pelo(s) (re)encontro(s) de boa memória.

sábado, 27 de junho de 2026

Reportagens e legendas com muito que se lhe diga

     E para não ficar pelo dizer, cá vai o escrito.

   São muitas as questões levantadas numa breve reportagem televisiva difundida pela SIC (no Jornal da Noite de hoje), a qual vale noticiosamente pela insatisfação criada com todo um processo há muito anunciado com fragilidades evidentes. Desde que, com a digitalização das provas moda, se detetaram falhas incontestadas, ficam este ano agigantados os constrangimentos e as dificuldades com a extensão de procedimentos comuns às provas finais de ciclo, bem como aos exames nacionais. E não se pode afirmar, ou mesmo sugerir, que tal tenha a ver com o funcionamento / a inoperância das escolas ou com o desempenho de alunos e de professores.
     Não se sustenta a fiabilidade e validade de um processo com sinais declarados de disfuncionalidade, tecnológica que seja, quando acompanhados de uma recentralização e de um sentido de avaliação eminentemente técnico, para não dizer francamente despersonalizado (diria, longe da avaliação pedagógica). 
      No meio da contestação e da polémica, ouve-se na mencionada reportagem que o processo de classificação ainda não arrancou (ora porque não se acede aos itens digitalizados, ora porque se acedeu e se deixou entretanto de aceder, ora ainda porque não se atribuiu uma senha ou credencial de acesso); que há professores aposentados convocados para tal; que há troca entre os professores corretores e as disciplinas que lhes estão destinadas; que, por fim, e segundo voz-off , "a tutela já terá alterado o cronograma inicial" (leia-se o cuidado no uso de um futuro composto, a traduzir a modalidade do não certo, de algum distanciamento face ao dito).
    Insustentável é também o jogo desta afirmação da reportagem (com a devida modalização) com a legenda complementar, esta última com a afirmação factual (facto concluído, de aspeto perfetivo) de que "a tutela alterou". Inconsistência e incoerência graves no significado associado: por um lado, a relativização de um futuro composto e, por outro, a perfetividade de um pretérito na ordem do certo e do facto. 
      Ainda mais insustentável, a tocar o absurdo e o ridículo, é o objeto da alteração noticiada:

Incredulidade para um elemento de formação de palavra, no mínimo, inusitado (Foto VO)

   Um cronograma aponta para a ideia de planificação, programação num / com um calendário. Do grego "khrónos" decorre o elemento de formação de palavras "crono" - associado a tempo. Ou seja, um elemento que a etimologia, a história da língua e a própria formação de palavras convocam como conhecimento fundamental a qualquer comunicador dos média (que deve dominar a sua língua), mas que, na escrita da legenda, resultou no que de mais risível há, numa fronteira muito ténue entre o ambíguo escárnio e o assumido maldizer. 
    Nem com mitologia grega isto lá foi, nessa alegoria do deus C(h)ronos, frequentemente representado a fazer girar a roda do zodíaco, numa leitura da passagem do tempo. Tanto conhecimento desperdiçado ou desconhecido!
      
    No final, apetece-me dizer que nem "cornograma / cornómetro" existem (muito menos para planificar / medir chifres, hastes, chavelhos ou apêndices animalescos) nem cronogramas deram lugar, nos dias de hoje, a exemplo de metátese do som [r]. E porque a reportagem em causa não deixa, acima de tudo, de tratar de questões de educação no país, tudo isto se revela muito triste e escusado (porque daqui se cai facilmente no ridículo de assuntos que têm de ser levados muito a sério). No mínimo, bastava um editor ou alguém competente a verificar o que se escreve na televisão.
 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Podia ser melhor, para ser "bom".

      Isto de representar sílabas não é fácil.

      Em termos prosódicos, são analisados fenómenos fonéticos e fonológicos envolvendo unidades maiores do que os fonemas, como o caso da sílaba, da palavra ou da frase. No primeiro caso, está em causa uma unidade estruturada e organizada que agrupa sons na fronteira da palavra, podendo incluir um ou mais, como, por exemplo, nas sílabas das palavras [a][pren][der] ou [en][si][nar] [por][tu][guês]. 
      Os sons integrados numa sílaba podem ocorrer no seu ataque  - configurados pelas consoante(s) à esquerda do núcleo vocálico -, no núcleo vocálico (vogal ou ditongo) ou na coda da sílaba - consoante à direita do núcleo.
    Ora, no início da rubrica "Bom Português" de hoje, quando se procura verificar qual a sílaba destacada na palavra "tenhamos" (caso interessante, porque, definitivamente, resulta na leitura / na produção oral devida da palavra, quanto ao acento tónico), eis que surge o que não deve:

Há sílabas com amarelo a mais (Foto VO, a partir de emissão televisiva da RTP1)

      Leia-se convenientemente a segunda hipótese como a correta, assumindo a sílaba tónica e a natureza grave da palavra (e não a forma de a tornar esdrúxula, como muitos falantes tendem a oralizar). Até aqui tudo bem.
     O que não está correto é assumir [ten] no primeiro cenário como sílaba, como se de uma nasal se tratasse. A divisão silábica da palavra é [te][nha][mos], pelo que a primeira sílaba à esquerda não está convenientemente representada, na sua configuração gráfica. O 'n', indevidamente assinalado, é parte constituinte de um dígrafo (duas letras a representar um só som) que está para o ataque da sílaba medial [nha], e não para um som de coda da inicial.

        Quando de "Bom Português" se trata, tem de ser melhor. Haja esperança! E tudo faÇAmos para que consiGAmos, oralmente, produzir discursos corretos. TeNHAmos fé!

domingo, 14 de junho de 2026

Nobre causa em língua pobre

       Assim começou a manhã noticiosa: com nobreza e pobreza.

     A nobreza traduz-se na imagem e na ação dos dadores que generosamente dão o que têm a muitos que precisam. Solidariedade fantástica dos dadores, bem como de todos aqueles que cumprem, no seu trabalho, com uma causa que se impõe para a salvação / sobrevivência / manutenção da vida e da dignidade humanas.

Quando a imagem contradiz a legenda, num canal televisivo nacional - RTP Notícias (Foto VO)

       A pobreza encontra-se mesmo na legenda, como se houvesse brigadas contra as populações (ir de encontro a). E o curioso é que ela é imediatamente contradita pela voz da locução noticiosa, assumindo (e bem) que as brigadas vão ao encontro das populações necessitadas (ir ao encontro de).
    Já aqui se apontou, por mais de uma vez, como a simples troca das preposições / contrações dá em significados completamente contrários: respetivamente, o de esbarrar, chocar, ir contra, por um lado; o de aproximar, estar ao serviço de, por outro.

         A deriva do uso da língua (ainda mais em contexto de comunicação de massas), no que à expressão diz respeito, não pode causar incoerência nos atos: tudo vai ao encontro da causa maior; nunca de encontro a ninguém. Persista a nobreza; erradique-se a pobreza.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Mentiras temporalmente agendadas

       Assim me deram a conhecer. É bom saber.

       Se tivesse de contratualizar o serviço, não o requeria ao fim de semana. Melhor: ao domingo.

Uma partilha de feriado, de uma cúmplice na recolha destas falhas na língua (com agradecimento à MPM)

       Com alguma variação, em Portugal, o típico é o cabeleireiro e o barbeiro serem mais baratos à quarta-feira (pelo menos, no local que frequento). No local publicitado, só para me ver livre das mentiras, já saberia o dia em que não faria a barba nem cortaria o cabelo. Restar-me-iam praticamente quase todos os dias da semana. Exceto o dia santo.
       Ainda assim, como a mente é gasta ao longo da semana em trabalhos, mais vale mudar de barbearia (pode até ser que o barbeiro / cabeleireiro tenha nome mais... tradicional ou comum).

          Nem com a homofonia do "somente" isto vai lá. Só pode ser piada (de sorriso amarelo).

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Bodas de ouro para um edifício (e não só)

     50 anos numa noite espetacular, com memórias revistas em escassos minutos.

     Hoje, pelas 21 horas, no Multimeios de Espinho, foi tempo de encerrar uma história que culminou em espetáculo-concerto e contou com a participação da comunidade educativa do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), nomeadamente professores, alunos, pessoal não docente (operacional e técnico-administrativo), encarregados de educação, mais as entidades parceiras que viveram os "50 anos: do Liceu ao Agrupamento" - tema aglutinador de todo um plano de atividades vivenciado desde o ano letivo 2024-2025.

Convite endereçado à Comunidade Educativa do AEML
     
       As bodas de ouro dizem respeito a um edifício construído no início da década de setenta do século passado, para nele ser alocado o Liceu Nacional de Espinho. Entrou aquele em funcionamento no dia 4 de novembro de 1975, conforme ofício redigido pela presidente do conselho diretivo provisório de então: a professora Maria do Céu Beato Oliveira Dias de Sousa. Em tempos marcados ainda pelo espírito revolucionário pós-25 de abril, tudo começou de acordo com decisão unânime assumida em reunião geral de professores (RGP). Assim se lê no documento exarado: "... encontrada uma plataforma de solução... em relação a uma decisão tomada por unanimidade numa anterior reunião sindical, segundo a qual as aulas não seriam iniciadas sem que todos os professores eventuais estivessem colocados...". Nas palavras citadas de quem viveu o momento, a construção foi como que tomada de assalto, para que se cumprisse o desígnio para que havia sido erguida.
        O programa do evento celebrativo iniciou-se com a projeção de um pequeno vídeo, a dar conta do percurso desse estabelecimento escolar que, aberto em novembro de 1975, em 1976-77, passa a ganhar um patrono com a designação "Liceu do Dr. Manuel Laranjeira". Em 1978, chegou a "Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira". Em 2011, o edifício foi objeto de reabilitação por parte da Parque Escolar (hoje, Construção Pública), segundo um projeto arquitetado por Rui Lacerda. Cumprido meio século de um estabelecimento escolar (que, na atual e requalificada escola-sede de agrupamento, apresenta apenas alguns poucos apontamentos dispersos do passado), mantém-se a missão, ainda com futuro.
     Na presen-ça da Diretora do AEML, do Presidente do Conselho Ge-ral e do Vice-  -Presidente da Câmara Muni-cipal de Espi-nho, houve oportunidade para me pro-nunciar acerca do vídeo pro-duzido e de como este pode ser injusto face a uma multiplicidade de projetos, de atividades, de rostos que têm vindo a marcar gerações e que nele não figuram. Não cabem 50 anos em menos de dez minutos e, nessa medida, impõe-se a compreensão e a generosidade de muitos poderem rever-se naquilo que foi editado; encontrarem no que fizeram / fazem interseções, comunhões (re)visitadas no que foi incluído (há impossibilidades óbvias no conceito de memória: desde a perda, ao esbatimento e à recuperação recriada). Importa ainda agradecer a todos os que, saindo, entrando ou permanecendo no agrupamento, deram ou têm vindo a dar o seu melhor a uma instituição que tem servido bem o concelho, para não dizer o país (considerando alguns dos nomes que saíram formados do "liceu", como ainda é familiar e popularmente nomeado).
       Fica aqui o registo vídeo (clicar na expressão destacada) desses menos de dez minutos para uma história que já segue caminho no sentido do século - porque, do meio já vivido, há já provas consolidadas quanto ao papel de-sempenhado na socie-dade, enquanto exem-plo de escola pública focada na qualidade educativa, na inclusão, na multi e interculturalidade, bem como no acompanhamento socialmente empenhado e implicado na ativação de competências (conhecimentos, procedimentos, atitudes e valores) formativas diversificadas.

         Comemorados e encerrados os 50 anos, rode-se a ampulheta e reveja-se a areia a cair, em nova contagem de tempo com atenção à vida e, como o diz o patrono, abrangendo no "mesmo olhar o céu e a terra". Acrescentaria o mar, pela força que detém e pelo horizonte que nos dá, nos caminhos e nas oportunidades a descobrir, a explorar e a conquistar.
        

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Açúcar com retórica

     Nem de propósito: o exemplo do pacote de açúcar.

    Um aluno perguntava, a determinada altura da aula, se as palavras antónimas tinham alguma coisa a ver com antítese. Têm sim, enquanto mecanismo linguístico ao serviço de efeito retórico presente em discursos de natureza diversa.
    Quando se diz que importa fazer da fraqueza força, as palavras antónimas finais configuram um jogo antitético, tal como o enunciado publicitário de um pacote de açúcar que me veio parar às mãos:

Um jogo antonímico ou antitético - leve / forte (Foto VO)

    Não precisa de se enquadrar a questão das figuras de estilo ou figuras de expressão exclusivamente na lógica da produção literária. Poderá ser na comunicação do quotidiano, na linguagem argumentativa e persuasiva da publicidade, da política, da oratória, de textos poéticos ou literários.

       A retórica não se prende apenas a questões de estilo; cumpre-se no(s) uso(s) da língua e no que se evidencia nas figuras de palavras. Mais um caso de evidência da inseparabilidade da língua e da literatura.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Um 'me' que se distingue pelo recurso à terceira pessoa... e não só!

        Chega o tempo de preparar para provas / exames / testes.

     Por vezes, o confronto com respostas indevidas leva a incertezas que, definitivamente, importa eliminar (seja qual for a fonte destas).
       
       Q: Bom dia, Vítor. 
         Preciso da tua ajuda: na imagem que envio, os pronomes "me" desempenham as funções sintáticas de CD e CI, respetivamente, ou são ambos CI?

Testes / técnicas para a distinção do 'me' são precisos(as). E não só!

          R: Olá.
       Na primeira frase destacada, o 'me' assume a função sintática de CD (complemento direto), dado que, no paradigma das diferentes pessoas gramaticais, esse pronome seria substituível por 'te' / 'o' / 'nos' / 'vos' / 'os'. A pronominalização, na terceira pessoa, por 'o(s)' é a prova da função sintática de CD. Analisando a particularidade da primeira realização frásica, é de verificar que se está perante a base nuclear verbal 'ENSINAR+ALGUÉM+A FAZER'; portanto, 'Ensiná-lo a isso' (de novo, a marca de CD na pronominalização acusativa sublinhada) e não '*Ensinar-lhe a fazer / a ler / a isso'. Trata-se de uma construção ou realização análoga a 'OBRIGAR+ALGUÉM+A FAZER' ou 'LEVAR+ALGUÉM+A FAZER' (obrigá-lo a fazer / levá-lo a fazer), também com CD.
        Não há, assim, como confundir esta realização sintática com uma outra mais próxima da estrutura argumental típica do verbo 'ensinar': ENSINAR+ALGO+A ALGUÉM. Nesta última é que seria possível a pronominalização (dativa) do CI (complemento indireto): 'ensinar-me / te / lhe / nos / vos / lhes algo.
       Na segunda frase, o 'me' funciona como CI (complemento indireto), já que a substituição, na terceira pessoa, corresponderia a 'lhe(s)' - a marca de dativo, associada a CI, com o segmento 'de tudo um pouco' (inversão de 'um pouco de tudo') a funcionar como CD.

        O teste de substituição / pronominalização é uma técnica eficaz na consciencialização do que só, aparentemente, parece igual. Contudo, nem tudo o que parece é (inclusive na gramática da língua).

terça-feira, 19 de maio de 2026

Um prémio nacional!

      Assim foi várias vezes repetido. Com orgulho.

    No passado dia dezasseis de março, enquanto diretor do AEML, tive a oportunidade de endereçar palavras de agradecimento na sessão solene realizada perante a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários de Lisboa, no âmbito da Semana de Formação Financeira. Anunciava-se aí a atribuição do Prémio Nacional de Ensino Secundário ao Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), na 14.ª edição do "Concurso Todos Contam". Não estive presente fisicamente, mas de modo remoto; à distância de um clique.
   Hoje, cessadas as funções de então, mas em compresença mais real e autêntica (no tempo e no espaço), sublinho e reitero o reconhecimento e o agradecimento devidos, pelo envolvimento no projeto "Desafios de Literacia Financeira - joga e aprende", avaliado como o melhor projeto nacional de ensino secundário. Um orgulho feito de dinâmicas de professores, de alunos, de encarregados de educação, galvanizados para uma educação de excelência, focada numa prioridade do projeto educativo do AEML, da educação para a cidadania, da formação de muitos jovens (desde o pré-escolar ao 12º ano) e, inclusivamente, de alguns professores.
      Destaco o trabalho de coordenação do Departamento de Ciências Sociais e Humanas, particularmente do grupo disciplinar de Economia e Contabilidade, que chamou a si e ao AEML múltiplas iniciativas envolvendo docentes, discentes e encarregados de educação; agentes locais, regionais, nacionais - todos contribuindo para o que hoje se materializa no reconhecimento público do que foi levado a cabo nesta escola pública, solidária, inclusiva, multiculturalmente diversa, apostada no trabalho de competências múltiplas e de formações diversas.

A hora de receber o cheque do prémio "Todos Contam", na presença de muitos, mas não todos. (Foto GIC)

         Se, inspirados pelo patrono Manuel Laranjeira, é de reconhecer a importância de "abarcar num mesmo olhar o céu e a terra", acrescentaria, em localidade piscatória, a energia do mar. Com esta, entrou-se na onda do tecnológico, do digital e da inteligência artificial; aproveitámos as marés de oportunidades, onde a educação financeira também foi levada a bom porto; aproveitaram-se ventos favoráveis à aprendizagem que nos une enquanto cidadãos ativos e participativos (nos orçamentos, na cidadania, na dinâmica de atividades e projetos). Na integração e articulação construídas (com língua, pensamento matemático, domínio das expressões, literacia financeira), cumpriu-se um projeto digno de consagração, cujo mérito muito enaltece o compromisso com a promoção de competências essenciais junto de jovens. Tem sido este o barco em que navegamos.
        Segundo o Administrador da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, o Dr. Diogo Alarcão, o AEML tem razões para se congratular e orgulhar: recebeu um prémio nacional, por um projeto construído no seu seio. Por isso foi reconhecido, galardoado, incentivado a prosseguir um trabalho que já havia merecido uma menção honrosa, em ano anterior, e que, este ano, evoluiu para a distinção: a melhor escola nacional no concurso "Todos Contam".

Celebração da entrega de um prémio nacional: 14ª edição do concurso "Todos Contam". (Foto GIC)

     Concretizou-se um programa de acolhimento para a receção do prémio. E na presença de todos (representante regional do Banco de Portugal, representantes da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, Presidente da Câmara Municipal de Espinho, Presidente da Junta de Anta, Diretor cessante, Diretora e Presidente do Conselho Geral do AEML, Coordenadora do Departamento de Ciências Sociais e Humanas), os docentes do grupo de Economia e Contabilidade, bem como alunos do agrupamento demonstraram o envolvimento e entusiasmo que caracteriza(ra)m os vencedores.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Dar voz às mulheres

       Hoje e sempre, mesmo com uma voz masculina a abrir. 

    Um final de tarde, pelas 17:30, foi tempo de participar na palestra "Dar Voz às Mulheres", no Auditório Maria Ricardo. Em espaço com nome de mulher, foram recebidas seis ex-alunas e/ou professoras do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), numa oportunidade para recordar a passagem delas pela escola e para falar do percurso profissional que assumiram / têm assumido até hoje. Assim culminou o projeto de Cidadania da turma do 11ºF/F1 (Artes e Humanidades), intitulado "Mulheres que transformam o Mundo: Arte, Voz e Cidadania". No mural da cantina, uma exposição sublinhava o contributo feminino para o mundo; no caso português, havia lugar para as figuras singulares de Maria de Lurdes Pintassilgo (até hoje, a única mulher a desempenhar o cargo de primeiro-ministro), de Paula Rego e de Joana Vasconcelos (artistas contemporâneas de renome internacional).
     Convidaram-me para abrir o evento na qualidade de ex-diretor do agrupamento - uma presença masculina que não deixou de agradecer o convite, a iniciativa, um projeto que protagoniza mulheres nas áreas em que se destaca(ra)m: Carolina Marques (ex-aluna e deputada), Margarida Quaresma (professora aposentada e voluntária), Margarida Fonseca (jornalismo), Maria Resende (ex-aluna e jurista da APAV / Assembleia da República), Patrícia Carvalho (ex-aluna e enfermeira) e Ana Pais Oliveira (ex-aluna e artista / professora de dança).
      No âmbito das comemorações dos "50 anos: do Liceu ao Agrupamento", o evento não deixou de ser tributo aos conceitos de democracia, de cidadania e de república (femininas na língua, com a última a ser simbolicamente representada pela alegoria da Marianne portuguesa); cruzou-se com temas de referência como os dos Direitos Humanos e da Igualdade de Género; da Democracia e Participação Política das Mulheres; do Desenvolvimento Sustentável e Empoderamento Feminino; da Literacia Financeira e do Empreendedorismo Feminino; do Pluralismo e da Diversidade Cultural.
      A atualidade da sessão foi notória e notável, com a questão do género a manter-se premente enquanto tópico de discussão num mundo ainda pautado pelo domínio / poder masculino. Mesmo assim, a afirmação do foco feminino não deixou de ser uma constante, remontando aos tempos da antiguidade. O tema é transversal na cultura e na literatura - assim se pense na poetisa Safo de Lesbos (c.630-570 a. C.), na helénica Corina (quinto século a. C.), na ascensão de Cleópatra, nas figuras das proféticas sibilas, na romana Sulpícia (primeiro século a.C.), na mártir cristã Perpétua (c.182-203 d. C.); assim se leiam cantigas de amigo, obras de Natália Correia, Sophia de Mello Breyner Andresen, Agustina Bessa-Luís, Lídia Jorge ou se representem personagens ficticiamente inspiradoras como Matilde de Melo, Blimunda ou Lídia (clássica e moderna).
     É um facto que, no seio dos grandes feitos e heroísmos masculinos, grandes homens tiveram sempre o apoio e o amparo de não menores figuras femininas: num tempo como o reinado quinhentista de D. Manuel (o Venturoso), teve de existir uma infanta D. Maria na afirmação e expansão da cultura nacional; o século XVIII vincou o papel da poetisa e pedagoga Marquesa de Alorna, ainda com muito por divulgar e reconhecer na sua obra; a democracia e a liberdade do século XX muito devem ao pensamento ousado e feminino / feminista das três Marias (Maria Velho da Costa, Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno), com as suas Novas Cartas Portuguesas, de 1972.
      E na geografia nortenha que nos radica, entre o Minho e o Douro, não é de esquecer o sentido da raiz, da origem, de um matriarcado que se firma nos valores fundacionais, da terra, da resistência e da tradição - simbologia de um género que sublima a mítica Geia ou Gaia.

As convidadas no Auditório Maria Ricardo do AEML, numa lição de testemunhos, vivências e conselhos 
(Foto VO)

      A par de tudo isto, três jovens estudantes conduziram uma palestra que (entre o registo da entrevista, a curiosidade juvenil perante vidas experientes, a partilha de conselhos) resultou numa oportunidade feliz de aprendizagens, de expressão de emoções, de uma lição e afirmação expectante numa mundividência outra para gerações futuras. Só para me manter no feminino.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Nem sei que pense

     Fizeram-me chegar um "tesourinho". Ou melhor, dois!

     Convenhamos que é necessário muita imaginação, só para pensar nos produtos anunciados:

Nem com "glúteos" nem com sintaxe se faz boa composição de produtos 
(com agradecimento à MPM)

         Que estes tenham o publicitado, soa-me a tendências canibais. No mínimo!
        Acrescente-se a não concordância sintática ("todos os produtos"[plural] e "contém" [singular]).
     É composição explosiva para um cartaz publicitário que deixa muito a desejar. Caso claro de intolerância (e não é alimentar).

     Isto de confundir glúten com glúteos nem com paronímia lá vai. É mais comédia, mesmo!

quarta-feira, 18 de março de 2026

A diferença televisiva entre haver e ouvir

      A relação não é só num sentido.

      É biunívoca mesmo. Confunde-se ouvir com haver e haver com ouvir:

Imagina se houvesse! Talvez se ouvisse mais. Que desgraça! (agradecimento à recolha atenta da ARS)

       A julgar pelas legendas, a presente e outras já detetadas neste blogue, parece não haver diferença, no uso ora de um ora de outro termo.
     No meio disto tudo, já não se trata de uma questão de surdez (por não se ouvir o que há) nem de visão (por não se distinguir graficamente 'houve' de 'ouve'). 
       Homofonias à parte, é preciso não saber do que se fala nem do que se escreve, mesmo!

    É ignorância assumida quanto ao conhecimento e ao uso da língua - assim é num meio de comunicação social e de difusão do que pior existe (do que houve e não se ouve; do que se ouve e não houve).

segunda-feira, 16 de março de 2026

Presença distanciada, muito comprometida

      Há que explorar as possibilidades que a tecnologia permite.

     É a presença sem estar no espaço; é o agora sem o aqui, com tempo(s), instante(s) em paralelo. Foi desta forma que, posso afirmar, estive com o Sr. Ministro da Educação Ciência e Cultura; com o Sr. Diretor do Banco de Portugal e com as altas individualidades da Conselho Nacional de Supervisão Financeira. Impossibilidades de exercício de funções e limitações na distância geográfica não podem comprometer a participação e a representação do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML) num momento de orgulho singular: a atribuição do primeiro prémio nacional do ensino secundário na 14.ª edição do Concurso "Todos Contam".
     A sessão solene de anúncio dos vencedores desta edição do concurso ocorreu pelas 14h00, na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, em Lisboa, e o convite feito tanto pela Comissão de Coordenação do Plano Nacional de Formação Financeira como pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas do AEML tinham de dar lugar a resposta positiva.

Evidência da presença distanciada, com orgulho no AEML (Foto cedida pela CMVM)

    Num discurso de reconhecimento a quem mais diretamente levou a cabo o projeto vencedor (grupo docente de Economia e Contabilidade), a par de todos os que deram o seu contributo implicado e empenhado (e foram muitos), fica a nota audiovisual do dito:

A prova do dito: do prémio atribuído e do discurso pronunciado (excerto do vídeo público da CMVM)

     "Desafio de Literacia Financeira - joga e aprende" é o exemplo do envolvimento de muitos e de variadas competências. Articular e integrar é possível, numa conjugação de propósitos afins, levados a cabo em várias iniciativas dinamizadas no âmbito da educação e da escola públicas, implicando professores e alunos desde o pré-escolar ao ensino secundário, nas múltiplas inteligências e competências que confluíram nas áreas linguísticas, matemáticas e das expressões.

    Um momento feliz para o agrupamento e para quem faz dele entidade de referência nacional. A gratidão é o valor de ordem e a representação do AEML é um dever a cumprir, como sinal natural do orgulho e do agradecimento por (me) colocarem (com) Laranjeira, enquanto marca institucional, na senda da excelência educativa.

domingo, 15 de março de 2026

Por terras de Viriato

      Foi dia de os professores passearem, soltarem risos e conviverem.

     Apesar de alguns pingos de chuva, foi um dia bem vivido e bem "regado", com pequeno-almoço em Vouzela; visita ao Museu do Quartzo, idealizado pelo prestigiado geólogo Galopim de Carvalho e instalado num antigo local de extração de quartzo (Monte de Santa Luzia, na zona de Viseu-Dão-Lafões); almoço no familiar restaurante Zé Pataco (onde não faltaram as encomendas das morcelas, dos queijos e chouriços, mais os tupperwares das migas de entrada); prova e degustação de vinhos na Quinta de Santa Maria; passagem pelo exterior do palácio-museu Aristides Sousa Mendes.

Cartaz de divulgação da atividade promovida

As evidências do vivido: de Vouzela, Viseu, Cabanas de Viriato (Fotomontagem VO)

    Foi um roteiro diferente do traçado no ano passado, ainda que em espaços comuns, numa consolidação e expansão de aprendizagens, com focos em biologia, física, geologia, química, história. No âmbito da plantação, produção e degustação vinícola - com champanhe, branco ou tinto -, ficou o apontamento do "Ribeiro Santo" da região do Dão, com aromas de fruta e rusticidade, mais o apuramento do paladar. A apologia vinícola do norte foi mais do que sublinhada pelo guia, em detrimento daqueles outros que continuam a afirmar que o Alentejo tem mais do que se lhe diga. Um ou outro, o certo é que o nacional (é que) é bom.
    Com muita foto a evidenciar os momentos vivenciados, concretizou-se mais um convívio para criar laços, aproximar nos risos e viver aprendizagens / experiências a recordar.

    Entre referências a famílias brasonadas, percursos a recuperar traços entre o medieval e o barroco, aromas e sabores báquicos da ancestralidade à contemporaneidade, ficou um sábado bem passado, na intenção de prosseguir com viagens e (re)encontros de grupo inter e transdisciplinar para lá dos tempos de escola.

segunda-feira, 9 de março de 2026

A liberdade no (uso do) acento gráfico

     A observação surgiu perante a estranheza do uso.

     É verdade que é mais comum ler-se a palavra sem acento gráfico. Por isso, a mensagem surgiu:

     A: Olá, Vítor!
         De quem me lembrarei, sempre que me deparar com algo como o que está abaixo?
       Guia Geral de Exames 2026: «(...) obrigatoriamente, de atestado médico de incapacidade multiúso (...)»
          É por isso que, por muitos olhos que passem no que escrevemos, nunca são demasiados.

     Tive de responder a desfazer um pouco a certeza nessa estranheza de um 'multiúso', que faz todo o sentido existir, atendendo às convenções ortográficas e de acentuação gráfica contemporâneas.

     B: Bom dia.
         As convenções ortográficas, por vezes, são complicadas. Este é um dos casos.
      Ainda que o uso comum permita a utilização consensualizada da grafia 'multiuso' (com o elemento latino 'multi' e a palavra 'uso' aglutinados), o certo é que, na escrita, há uma regra de acentuação gráfica a determinar que duas vogais juntas em situação de hiato (lidas não como ditongo, numa só emissão de som, mas como vogais diferenciadas foneticamente) fazem com que 'u' ou 'i' sejam graficamente acentuados. É o que acontece, por exemplo, com 'reúne', 'saúde', 'suíça', 'país', 'baú' entre outras palavras.
       Assim, convivem as escritas 'multiuso' e 'multiúso' na língua portuguesa: a primeira, na consciência morfológica e etimológica da (re)composição de um elemento latino com uma palavra atual; a segunda, na ativação das convenções de ortografia e acentuação gráfica. 
     Importa, portanto, que a escrita de uma ou de outra formas surjam coerente e consistentemente nos textos.

Muito uso com ou sem acento - um caso de liberdade na acentuação gráfica (montagem VO)

     Pronto: lá terão que se lembrar de mim na complexidade das relações fonético-grafológicas da nossa língua em combinação com a perspetiva morfológica e algum toque de história da língua e etimologia em deriva.

domingo, 1 de março de 2026

Nova edição de 'As Fadas do Bosque das Cores e das Estórias'

      É a segunda. E aconteceu ontem à tarde.

      Foi a reapresentação, pela segunda edição, de um livro já aqui tratado.
   Li-o há alguns anos, ainda nos tempos da pandemia. Continuo a achá-lo maravilhoso, no texto da Dolores Garrido e nas ilustrações da Cristina Pinto.
     Não tendo estado, desta feita, presente no evento, lembrei-me do encontro de há cerca de quatro anos e voltei a pegar na edição original, achando que lhe podia dar outro fôlego, num projeto de leitura a dinamizar na escola e em associação à fluência de leitura, junto de alunos do 1º Ciclo.
   Fica um apontamento audiovisual, para o projeto a desenvolver: facultar o texto, propor um modelo de leitura expressiva, promover a leitura silenciosa, avançar com dinâmicas de oralização do texto (em segmentos distribuídos por vários alunos).

Montagem de fotos e áudio, para um projeto de fluência leitora 

     Quanto à mensagem transmitida, mantenho a ideia de que se trata de uma publicação para miúdos com mensagens também para graúdos. Portanto, há que explorar oportunidades merecidas de (maior) partilha.

      Porque há temas que importa educar sempre junto de todos. No meu caso, há umas pequenas fadas que circundam cá pela casa (deve ser por isso que o encantamento do livro por cá paira).

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Entre a desgraça e a desgraceira

      Assim correm estes tempos. Tão mal!

     Primeiro, acorda-se com notícias de mais um conflito, outro ataque ou nova agressão a um país - o que começa a parecer banal, como se de um jogo estratégico se tratasse. Estratégia até pode ser (a favor de quem se sabe); porém, de jogo nada tem, pela desgraça que resulta para todos.
   Depois, não fosse isto suficiente, lá vem mais uma nota de rodapé / legenda televisiva para a desgraceira dos erros que invadem os olhos dos espectadores / leitores:

Citação de palavras, no mínimo, explosivas... pela construção errada na conjugação do verbo 'haver' 
(com agradecimento pela foto à GR)

    Triste é o desconhecimento de que o verbo 'haver' , enquanto principal, não admite conjugação no plural, inclusivamente com os verbos auxiliares que o acompanham (como é o caso de 'estar', no caso concreto do que se lê no rodapé). 
      Não menos desagradável é a expressão "estar a haver explosões". Sem 'haver', a opção 'acontecer', 'ocorrer' resultaria melhor e já sem problemas no plural de 'estão'.
      Como uma amiga o diz, e bem, "É a loucura!"

     A da guerra, a da língua e a de muitas outras situações que haverá (no singular, sim!) a considerar nos dias de hoje, para desgraça da humanidade.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Marés de oportunidades (IV) a abrir

      Chegados à quarta versão, fecha-se um ciclo.

    Entre ventos alísios e contra-alísios, foram quatro anos de boas marés no Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), com as quatro unidades orgânicas sempre a remarem para bom porto.
    Na escola-sede, este ano (tal como em anteriores), iniciou-se o programa de atividades com a colaboração de professores(as) e alunos(as) da Escola Profissional de Música de Espinho (EPME), numa demonstração variada de composições, feita de ritmos e intensidades diversas; de produções individuais e coletivas; de harmonias conjugadas em instrumentos de percussão e de sopro.

Cinco dos instrumentistas da EPME que honraram o AEML com a sua presença e colaboração 
(Foto APV)

    Em périplo por diferentes espaços, deu para constatar a participação e a adesão de muitos jovens às dinâmicas propostas por docentes que programaram e animaram atividades motivadoras, de imersão plena em ação, em movimento(s) e sentido(s) tão múltiplos e integradores quanto entusiasmantes: com palestras, pinturas, escrita, jogos, teatro, sussurros poéticos "entubados", desafios e raciocínios práticos, confeção de alimentos, projetos eTwinning, línguas e multiculturalidade, experiências laboratoriais, exposições, plantas e plantações, argumentação, inclusão, entre tanta outra oferta mais. Os assistentes estavam também por todo o sítio, atentos a tanta vivacidade e tanto bulício. Entre a preocupação e a satisfação, ora sorriam com o "tudo à solta" ora sentiam que há dias bem mais exigentes e fatigantes. Alguns prenunciavam que amanhã também correrá bem, confidenciando haver salas por abrir que estão um espetáculo. Para além das que já vi, fica a gestão da expectativa e da novidade.
    Hoje fechou-se o programa com a divulgação de um projeto de cidadania do 10º ano, à semelhança de outro realizado com várias turmas do 12º. O Auditório Maria Ricardo esteve bem composto, com professores(as), alunos(as) e Encarregados(as) de Educação. Pode dizer-se que os temas "Literacia Financeira" e "Cidadãos de Futuro" foram uma forma de ocupação da manhã e fecho do primeiro dia em consciencialização (refletida e crítica) e em beleza.

Apresentação de projetos de Cidadania e Desenvolvimento: 12º (cima) e 10º (baixo) anos
Montagem fotográfica (VO)

     No fim, entre biscoitos e bolhachinhas, mais pipocas, houve breve porto de honra para adultos (ou a variedade sumo, não menos honrado ou honroso), com um pequeno brinde e simpático convívio. À hora dos arrumos, um delgado copo cintilante deixou-se atrair pelo chão e, sonorosamente, multiplicou-se em pedaços. Resumiu uma assistente: "Deixe lá, é festa!"

      Amanhã será outro dia. Com festa ou não, promete ser novo tempo e espaço de aprendizagens em (recre)ação com a comunidade escolar e a educativa.
     

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Nada convicto, mas seguro

      Com tantas depressões, anseio por outras estações.

     A primavera e o verão são sempre as preferidas. E quando mudar a hora, deixando para trás a de outono e a de inverno, melhor será.
     Instalada a vontade de mudança, fico-me, para já, com o sentido da esperança. 
   Tal como o diria Pessoa, "Não sei o que o amanhã trará"; ou, então, repito Régio, no final do seu "Cântico Negro": "(...) Não sei por onde vou, / Não sei para onde vou / - Sei que não vou por aí!"
     Há já algum tempo que tenho vindo a expressar uma preferência. Hoje é dia de decisão. 

Cumpra-se o dever com a responsabilidade que se impõe: a de escolher por causa do que não se quer.

     A ideia tem sido a mesma: nada convencido ou convicto da cruz a colocar em ato eletivo; apenas certo da que não vou assinalar. Fico-me pelo seguro (a figura retórica da antonomásia nunca fez tanto sentido), por não querer a desventura (a negação é certa, por ser verdadeira) nem por quem se mostra atacado pela síndrome Calimero.

     O tempo ditará se a escolha foi a devida. Por ora, foi a possível, por não haver outra.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Uma questão de torres

       Conheço a de Pisa, a de Londres, a dos Clérigos...

    ... mais as de alguns monumentos e igrejas nacionais e não só. Não figuram nesta ilustração, encontrada no Facebook:

As torres que nos fascinam (sendo que a primeira e a última são as mais belas, para meu espanto)

     Por isso, são análogas ao que Caeiro escreve quando se refere ao Tejo: "O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, / Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia."
     Assim sendo, devo assumir que as torres conhecidas são, para mim, as mais belas, porque as vi(vejo) e estive(estou) junto delas. As outras podem fazer pensar; podem ser grandiosas e fenomenais, mas... só me fazem pensar, pelo que possa (não) saber delas e porque as não vi.
    Das que constam no gráfico, a primeira e a última são-me familiares: a Torre Eiffel é linda! Já teve várias cores, subi ao topo dela (ora a pé ora por elevador) e até vi o "escritório" do engenheiro, mais a panorâmica de Paris.

A Torre Eiffel e a panorâmica de Paris a partir do escritório do engenheiro (montagem de fotos - VO)

       A dos livros que não li e quero ler é, por sua vez, também a maior de todas e a que conheço melhor. E está a aumentar, a julgar pelos que estão espalhados pela casa, à espera que pegue neles, os folheie, neles sublinhe as frases / os pensamentos que me espantam,  neles anote o que me faz aprender.

        Venha o tempo para que possa dedicar-me a eles e vá diminuindo a torre mais bela do gráfico.