domingo, 8 de fevereiro de 2026

Nada convicto, mas seguro

      Com tantas depressões, anseio por outras estações.

     A primavera e o verão são sempre as preferidas. E quando mudar a hora, deixando para trás a de outono e a de inverno, melhor será.
     Instalada a vontade de mudança, fico-me, para já, com o sentido da esperança. 
   Tal como o diria Pessoa, "Não sei o que o amanhã trará"; ou, então, repito Régio, no final do seu "Cântico Negro": "(...) Não sei por onde vou, / Não sei para onde vou / - Sei que não vou por aí!"
     Há já algum tempo que tenho vindo a expressar uma preferência. Hoje é dia de decisão. 

Cumpra-se o dever com a responsabilidade que se impõe: a de escolher por causa do que não se quer.

     A ideia tem sido a mesma: nada convencido ou convicto da cruz a colocar em ato eletivo; apenas certo da que não vou assinalar. Fico-me pelo seguro (a figura retórica da antonomásia nunca fez tanto sentido), por não querer a desventura (a negação é certa, por ser verdadeira) nem por quem se mostra atacado pela síndrome Calimero.

     O tempo ditará se a escolha foi a devida. Por ora, foi a possível, por não haver outra.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Uma questão de torres

       Conheço a de Pisa, a de Londres, a dos Clérigos...

    ... mais as de alguns monumentos e igrejas nacionais e não só. Não figuram nesta ilustração, encontrada no Facebook:

As torres que nos fascinam (sendo que a primeira e a última são as mais belas, para meu espanto)

     Por isso, são análogas ao que Caeiro escreve quando se refere ao Tejo: "O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, / Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia / Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia."
     Assim sendo, devo assumir que as torres conhecidas são, para mim, as mais belas, porque as vi(vejo) e estive(estou) junto delas. As outras podem fazer pensar; podem ser grandiosas e fenomenais, mas... só me fazem pensar, pelo que possa (não) saber delas e porque as não vi.
    Das que constam no gráfico, a primeira e a última são-me familiares: a Torre Eiffel é linda! Já teve várias cores, subi ao topo dela (ora a pé ora por elevador) e até vi o "escritório" do engenheiro, mais a panorâmica de Paris.

A Torre Eiffel e a panorâmica de Paris a partir do escritório do engenheiro (montagem de fotos - VO)

       A dos livros que não li e quero ler é, por sua vez, também a maior de todas e a que conheço melhor. E está a aumentar, a julgar pelos que estão espalhados pela casa, à espera que pegue neles, os folheie, neles sublinhe as frases / os pensamentos que me espantam,  neles anote o que me faz aprender.

        Venha o tempo para que possa dedicar-me a eles e vá diminuindo a torre mais bela do gráfico.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Regressaram as dores... sem sentido.

     Ainda há pouco entrou o ano e aí estão elas.

    Já havia comentado esta leitura que certo jogador ("joga com a dor") e treinador ("treina a dor") de futebol (aqui, sim, é 'foot' e 'ball') faz com algumas palavras, segmentando o que não é segmentável.
    A campanha da NOS recuperou o senhor (um pouco mais velho) com o mesmo jogo inconsistente (de palavras que não o são) - uma teoria em que só o "mister" Abel Xavier conhece, parece um "master", vende, expande (com os ganhos publicitários), sem ensinar ninguém.

Com anúncios destes pouco se aprende, linguisticamente falando (Foto VO)

     Não é dor no que joga nem no que treina ou vende.
     Para quem entender que se trata de criatividade, é, por certo, de fraca qualidade.
     Em suma, não se atende nem se entende as dores que possam estar a ser criadas.

  Em publicidade tudo vale, independentemente dos valores pedagógicos (que não são garantidamente considerados). Esta é a verdade. Quando um aluno assumir que um jogador é palavra composta, agradeçam à NOS.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Uma tarde cinéfila

       Duas horas de um espetáculo musical a lembrar muito da sétima arte.

      Num concerto de homenagem a Ennio Morricone e a 100 anos de cinema, o público foi brindado com algumas das bandas sonoras mais famosas de todos os tempos, desde "Casablanca", "E Tudo o Vento Levou", "África Minha", “Braveheart” até às mais recentes de "Star Wars", "Titanic", "Gladiador" ou "O Senhor dos Anéis".
     Com interpretação da Royal Film Concert Orchestra, um maestro "nuestro hermano", animador, bailarino e saltitão conduzia toda a orquestração, a revelar-se imensa, numa sincronia de instrumentos, de ritmos, de gestão de intensidades musicais - tudo a cativar os espectadores, a ponto de os colocar a "tocar" (cantando, por exemplo, "The Good, the Bad and the Ugly", de Morricone).

Montagem vídeo com vários apontamentos do espetáculo - Coliseu do Porto: 31/01/2026

     De Ennio Morricone (compositor e maestro italiano), conhecido como "Il Maestro" e autor de mais de quinhentas composições para filmes ou séries televisivas (com Óscar honorário em 2006 e Óscar de melhor banda sonora em 2016, pelo filme "Os Oito Odiados"), ouviram-se melodias marcantes: "Once upon a time in the West", "Cinema Paraíso", "The Ecstasy of Gold", "A Missão" (com a celestial composição "Gabriel's Oboé"), entre outras.

Ennio Morricone no concerto de Munique de 2004, conduzindo a orquestração da sua "A Missão"

     O aplauso final, repetido, de pé foi um sinal do bem-estar conseguido, das emoções vivenciadas, das cenas fílmicas que, de olhos fechados, se recordavam à medida que os acordes musicais iam sendo associados às fitas das "nossas vidas". 

     No tudo que de bom e divertido aconteceu, faltou apenas um enquadramento cénico de fundo, fosse o visionamento de algumas cenas dos filmes, fosse um fundo mais sugestivo. Ficou o foco na música e na orquestração.
 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Triálogos em família

     Conversações linguísticas a três.

     Pergunta o filho qual o contrário de mérito: se desmérito se demérito.
     A mãe está para o primeiro, o filho pretende o segundo. O pai aceita os dois.

Preferível o mérito ao de(s)mérito - a negação instaura a dúvida pela presença de um 's'

    Na verdade, se 'merecer' está para o antónimo 'desmerecer' (com o acrescento do prefixo 'des-'), o mesmo pode aplicar-se, morfologicamente, no par 'mérito/desmérito'.
    Numa perspetiva etimológica, recorrendo à história da língua, encontra-se a razão do 'demérito': no latim, usava-se o termo 'demeritus, -a, -um' (particípio passado de demereo, -ere, com o significado de 'ganhar, merecer, cativar').
   Ambos os termos estão registados em vários dicionários, estando 'demérito' atestado em textos portugueses desde o séc. XVI; 'desmérito' é mais evidente desde o século XIX. O primeiro está mais para o etimológico e a via erudita com o recurso ao latim (com a família de palavras a destacá-los, por exemplo, em 'demeritório'), enquanto o segundo assenta mais numa consciência morfológica da língua. 

   Se entre marido e mulher não metas a colher, bom é que entre mãe e filho não se crie sarilho. Linguisticamente, quanto a este tópico, reina a paz entre todos.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O temporal que (por) aí anda!

    Ele é a Ingrid, o Joseph, a Kristin...

    É a vez de vir um(a) "L".
    Pode ser Língua. É tempestade declarada, a julgar pelo que se lê:

Temporal em Portugal e tempestade na língua - sem bonança! (foto VO)

    Até parece que a concordância se faz da direita para a esquerda (ao contrário do habitual no esquema de lateralidade de leitura europeu): o plural "vários dias" a combinar com "devem demorar"! Tudo do avesso, ao contrário, com o carro à frente dos bois.
    Isto de o singular ("trabalho de limpeza") concordar com o plural ("devem...") é tão tempestuoso que soa a raios e coriscos na sintaxe. Se ainda fosse o sujeito composto ("trabalho e limpeza"), vá que não vá! Só que limpeza dá trabalho e o trabalho de limpeza não fica atrás: DEVE demorar bastante, se for bem feito.

     O que não é bem feito é anunciar uma intempérie no país, esquecendo a sua língua, tão maltratada! Estas legendas televisivas são pérolas recorrentes na desgraça que por aí grassa (sem qualquer graça).

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

       Relembrando a passagem por locais emblemáticos.

       Há cerca de um ano foi assim, tal como há sete.
      A visita turística é cada vez mais isso: turismo. Espaço para memória, sim, mas tão bem organizado e restaurado que vai apagando a realidade dolorosa que foi. Às vezes, parece que só volta a ser por um exercício de imaginação, distantes que estamos desse vivido (será?!).
       Auschwitz é cada vez mais assim: arranjadinho, limpinho, com cara nova.

Eletrocussão, gás, fuzilamento, forca, fome, doença, trabalho forçado - indignidades (foto VO)

     Birkenau mantém-se mais fiel a um tempo que não podemos querer retomar, nos sinais mais pequenos que o induzem. A grandes passos e com alguns sinais de autocracia, despotismo, autoritarismo e ditaduras contemporâneos, permanecem hoje provas naturais desse horror que não pode ser esquecido.
    
A três quilómetros de Auschwitz, Birkenau impõe-se como boca infernal no trago da vida humana (foto VO)

    Em 27 de janeiro de 1945, o Exército Vermelho da União Soviética libertou o campo nazi de concentração e extermínio Auschwitz-Birkenau (um dos muitos espalhados pela Europa), na Polónia. Encontrou poucos sobreviventes, câmaras de gás destruídas, corpos defuntos e cinzas dos assassinados. Milhões de judeus, ciganos sinti e roma, portadores de deficiência, dissidentes políticos, homossexuais, indivíduos arbitrariamente declarados "criminosos" ou "antissociais", trabalhadores forçados, prisioneiros de guerra, testemunhas de Jeová e vários outros grupos considerados menores.
    Tudo começou com ódio, preconceito e antissemitismo, acabando em genocídio. Holocausto: termo de origem grega para significar "totalmente incinerado". 

     Seja este o dia pela dignidade e pelos direitos humanos, combatendo o ódio, a intolerância, totalitarismos e todas as formas de discriminação; preservando a memória na defesa dos direitos fundamentais da vida humana.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Preferências...

       Hoje disse uma delas, por diversas vezes.

    Lembro-me  da virtude que existe no equilíbrio, no comedimento, na moderação. Há quem fale em demasia e, por isso, diz o povo, pouco acerta.
   Recorrendo ao sentido etimológico da palavra, pode dizer-se que, inclusivamente, 'moderação' (derivada do latim "moderationis") significa ação de regular ou governar.
      Assim, construo o pensamento:

Tomo o equilíbrio por seguro, 
para não cair na desventura.

      Tenho dito; ou melhor, escrito. 
    Evocando Alexandre O'Neill, diria que "há palavras que nos beijam"; outras são "sem cor". Se o poeta falava da construção poética, digo que também vale para simples pensamento.
     Pareço um clássico, é certo. Na vida, há momentos assim - particularmente quando se sente que há situações ou pessoas com as quais não se pode nem se deve contar nem no presente nem no futuro.

      Sinto-a como necessária nestes tempos, para não cair em excessos (que não trazem felicidade a ninguém).

sábado, 24 de janeiro de 2026

Acentuar o que não se deve

       Dizem as gramáticas (sim)...
       
       Nem a palavra nem a sílaba são graficamente acentuadas. 
    Monossílabos tónicos terminados em "u" (por exemplo, "tu") não são acentuados; só os terminados em "a", "e", "o" (seguidos ou não de "s" - como  "vás", "pés", "cós"). Registe-se: nada a ver com "u"(s).
     "Recuo" (conforme o contexto frásico, ora nome ora forma verbal na primeira pessoa do singular do presente do indicativo) também não tem acento. Trata-se de uma palavra paroxítona (grave), tipicamente não acentuada, terminada com o hiato "uo" a não receber acentuação gráfica, tal como outras afins: "arguo", "atuo", "amuo", "duo", "usufruo".
        Espantosamente (ou não), leio em noticiário televisivo (da TVI) o que não devo:

Razões e lições do absurdo: sejam as de Trump sejam as de quem escreve na televisão (Foto VO)

      Se linguisticamente o erro está instalado, fica a positividade do anunciado: o disparate "trumpesco" (de querer comprar a Gronelândia ou de simplesmente tomar posse dela) parece não vir a ter lugar (Será?). Assim deve ser (ao contrário da acentuação)!
       Tanto pelo que o "trumpalhão" pretendia como pelo que se escreveu, há razões e lições que nem ao diabo lembra.

       ... o que certos utilizadores não fazem (pena)!

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Dia ou noite... de reis e de rainhas..., com príncipes e princesas

     Há quem diga que devia ser feriado; pelo vivido hoje, não.

     Até porque, se o fosse, não teria, por princípio, acontecido o que registo.
     Não foi a noite de reis. 
   Foi a noite do dia de reis, com muitas rainhas e outros tantos muito especiais - o primeiro dia de entrega dos diplomas no Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Laranjeira (AEML), para os 4º, 5º e 6º anos, na Escola Básica Integrada Sá Couto (EBISC). 116 alunos(as) a receberem o aplauso e o diploma pelo sucesso de qualidade conseguido (excelência académica, mérito desportivo e reconhecimento de valores) em três das escolas do AEML. 

Um dos diplomas atribuídos (Excelência Académica), a par de outros.

       Outros dias e outros anos de escolaridade virão com o decorrer da semana; mas tudo começou com grande emoção.
     Falhou a intensidade da música, mas a dança ensaiada sem qualquer barreira, a tímida melodia, o gesto e o ritmo demonstrados, a mensagem do "Gosto de ti" (de André Sardet) e uns jovens encadeirados a dançar com quem não aparenta tais limitações foram ingredientes para um momento comovente, magnífico, a fazer acreditar que o mundo pode ser tão melhor! Todos unidos por uma t-shirt branca com um coração rubro se mostraram conquistadores de um público que assistia no respeito do silêncio, da diferença, na consciência de que estavam juntos por e para uma causa maior, independentemente das fragilidades existentes.
       As palmas pelos diplomas atribuídos não apagaram um silêncio construído em união e com coração.
     Não ouvi chamar nenhum Belchior, nem Gaspar, nem Baltazar, mas havia muitos nomes de pequenos reis e rainhas que, no ano letivo 2024-2025, trouxeram, do ouro, o brilho do orgulho sentido; da mirra, o aroma da humanidade; do incenso, o exemplo do esforço e da transcendência de todos os que procuram superar-se no estudo, no desporto, nos valores que a escola pública assume na formação integral e integrada de futuros cidadãos (respeitáveis, trabalhadores, colaborativos, inclusivos, solidários). Já o são e prometem continuar a ser.
       Hoje, no dia da adoração de reis (e por que motivo não acrescentar rainhas?), a todos os presentes, importou destacar a estrela da gratidão: aos(às) alunos(as) reconhecidos(as)  pelo mérito / sucesso de qualidade no desempenho das aprendizagens feitas; aos(às) professores(as) envolvidos(as) no acompanhamento dessas aprendizagens, representados(as) pelos(as) Diretores(as) de Turma presentes, alguns(mas) vindos(as) de outras escolas, após um dia de trabalho(s); aos assistentes técnicos e operacionais, tantas vezes a dar a mão e o coração nos corredores, no recreio e nos espaços que nem sempre são letivos. Gratidão também aos (às) Encarregados(as) de Educação e familiares das crianças e jovens que, entre esforços e cansaços, têm sabido ir além do esfumar dos dias, lembrando que a verdadeira fama requer esforço; que o sucesso só aparece antes de trabalho no dicionário; que o alimento serve não só o corpo mas também o espírito, engrandecendo todos os que sabem olhar para a esquerda, a direita, para a frente e para trás, encontrando o outro, aquele que caminha junto, em grito de apoio, de solidariedade, de inclusão (sem egoísmos e com foco no bem comum).
       Manuel Laranjeira, patrono do agrupamento, enquanto escritor, afirmava, numa carta ao amigo Luiz Pinto Ribeiro (05.03.1904), que não aspirava a "homem célebre"; que "escrevia para satisfazer uma necessidade pessoal que é dizer aos outros o que pensa da vida e dos homens" (in Cartas, Lisboa, Relógio d'Água, [1943] 1990, p.26).
    Penso da vida e dos homens... que o orgulho (bom) assenta na realização, no reconhecimento e na felicidade pessoais em prol do bem comum; que a ambição (boa) se funda no que possa fazer-se para o bem da comunidade; que o percurso a cumprir, independentemente das pedras no caminho, se quer na continuidade do bem que se viva e das aprendizagens que se querem conquistadas na vida para a felicidade todos.

      Por todos os momentos e por um especial, logo o inicial, este foi um verdadeiro dia de reis e rainhas. Com a gratidão devida a quem organizou, participou e permitiu viver um instante que fez a diferença do dia no AEML.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Noite ou manhã escuras à espera do templo

      Acordar com a prisão de Nicolás Maduro.

      Seja essa a expressão para pôr fim a quem encabeçava, até ontem, na ação ou na concessão, uma situação que não dignificava todo um povo a gritar por liberdade; a mostrar a possibilidade de um outro caminho, entretanto barrado pelo autoritarismo imposto por um regime pouco ou nada democrático; só discursivamente popular.
     A esperança e a resistência venezuelanas são a afirmação da possibilidade; são o sentido daquilo que não se quer vivido e se deseja mudar: despotismo, injustiça, desigualdade, oportunismo.
      Seja esta a oportunidade que não se quer perdida!
     Ainda assim, no meio das celebrações, quero continuar a acreditar que os fins não justificam os meios usados. Nascido o dia, sinto que continuo na escuridão. Por isso, lembro vozes e música portuguesas a sinalizar o caminho: "que o amor nos salve nesta noite escura".

Composição para as "noites escuras" vividas fora do "templo do mundo", com as vozes de
Pedro Abrunhosa e Sara Correia (programa televisivo "Em Casa d' Amália", 10-11-2023 - RTP1)

      Mais um passo para a "trumpalhada" que vivemos - uma noite muito escura, onde as estrelas tudo têm de brilho falacioso, pautado por interesses extremados e extremistas: "uma luz que cala". Quero acreditar que "ninguém nesta terra é dono do templo", que "ainda há frutos sem veneno".
       Seja este o dia feito "semente [que] será fruto pela vida fora."

     Não se aplauda ou legitime o que, sendo dito, não é senão o interesse de alguns ou de quem o diz - afinal, não muito diferente do que já existia e, talvez, se tenha derrubado ilusória ou momentaneamente.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

De tirar o "chapéu"

     Literalmente; sem mais.

    Dizem os franceses que o acento circunflexo semelha um "petit chapeau"; os portugueses referem-se a ele como "chapeuzinho". De uma forma ou de outra, há que o retirar, quando sinaliza uma sílaba que não é a tónica. Se 'presidencial' não tem [den] como a sílaba mais forte, para quê o acento gráfico sinalizador de sílaba tónica com som fechado?

Presidente e presidencial, sem; só presidência com (com agradecimento da foto à AC)

    Não há que confundir 'presidência' com 'presidencial'. Embora da mesma família de palavras (questão morfológica), fonicamente são termos silabicamente bem distintos quanto à intensidade: a primeira é grave; a segunda, como todas as palavras terminadas em 'l', é aguda. Neste último caso, assim o ditam as regras gramaticais, não há razão para acento gráfico (ex.: mal, fatal, crucial, essencial, fundamental).  

    Ao segundo dia do ano, não me interessa se são oito, onze ou até catorze: os candidatos são presidenciais (sem acento, por certo). Votem no que vos aprouver, sempre tirando o "chapéu" ao que vos parecer mais presidencial (por respeito ou por gramática).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

A começar o ano

     Se o início for indício do que aí vem, ...

     2026, à semelhança de anos anteriores, é celebrado com o primeiro banho de mar, na praia grande do Ferragudo
   No apontamento jornalístico, segundo repórter e entrevistados televisivos, o mar está espetacular, melhor do que no verão (apesar das baixas temperaturas do inverno) e não há frio ("Não está frio! Você tem frio? Eu não tenho frio nenhum. Está impecável, está espetacular!").

Legendas infelizes na televisão a abrir o novo ano (foto VO)

     Registo eu que fiquei gélido só de ler a legenda, por várias vezes acionada, ao longo da reportagem.

Muda a imagem, mantém-se o erro. Antes fosse o contrário (Foto VO)

    Alguns dirão que se trata de uma pequena falha no acento; todavia, as implicações sintáticas são mais gravosas, ao colocar-se um sujeito plural em discordância com o singular da forma verbal (mantém - singular; mantêm - plural).

    Boas energias e o bom arranque dos banhos deviam servir para o bom uso da língua. Melhores concordâncias (sintáticas), diria.