sábado, 19 de janeiro de 2013

Depois da noite de temporal

     Quando amainou a tempestade, a meio da tarde...


      Chegou o tempo de sair, depois de tanto tempo fechado em casa. O inverno tem sido rigoroso e uns tímidos raios de sol podem ser razão forte para a saída desejada.



     DEPOIS DO TEMPORAL

     Espetado por minúscula areia,
     carregada num vento frio e fino,
     caminhava a passo resiliente,
     resguardando-me da invasão.

     Por momentos cedia ao ataque,
     ensinando o caminho ao diabo.
   
     Via, então, a praia varrida,
     como se uma mão tivesse alisado
     os sulcos do areal, agora plano.

     Na rua, o chão ainda húmido
     fazia sentir por baixo, nos pés,
     pequenas serranias - coladas
     a um piso onde havia pegadas
     que a praia perdeu. Apagadas.

     No pavimento dos transeuntes estão
     os sinais de um temporal que o mar
     mantém vivo na altiva ondulação,
     sobre as possantes pedras, a rebentar;
     a cobrir os molhes sem defensão.
 
     Regresso a terra, a casa.

     Há um sinal de trânsito que se rendeu:
     caiu desamparado. Está deitado
     com o rosto no empedrado. Emudeceu.

     O vento não tem sentidos proibidos.

     Estes são também os sinais do tempo.

     E não se pode dizer que não sejam deste tempo.