terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Em que pé está o Acordo?

       As resistências são algumas, os dissensos são bastantes e...

    Serve a expressão "em que pé estão as coisas?" para questionar, ou melhor, para saber o ponto de uma determinada situação, numa espécie de balanço. 
    No que ao Acordo Ortográfico (AO) diz respeito, a condição não é pacífica. Agora que se aguarda pela posição da Presidente do Brasil face ao documento, muito se discute, além do que já se debatia. E se houver algum volte-face, nada há para espantar, até por não ser novo na história dos acordos.
     Haverá quem diga que nada disto tem nem pés nem cabeça; que interessaria pôr os pés ao caminho, para que tudo ficasse mais claro. O certo é que, por ora, o AO está aí (desde 2011/2012 no sistema educativo português) e em período de moratória até 2016.
      Uma colega dizia, há dias, que isto ainda vai dar um pé de vento...
      E a pergunta surgiu: com ou sem hífen?
      Segundo o AO, este é mais um caso de composição que perde o hífen, à semelhança de muitos outros formados por Nome+Preposição+Nome.  Entram aqui os casos de 

pé de alferes 
pé de altar 
pé de amigo 
pé de atleta 
pé de banco 
pé de boi 
pé de cabra 
pé de cana 
pé de candeeiro 
pé de cantiga 
pé de cavalo 
pé de chumbo 
pé de dança 
pé de vento

       Exceção para 'pé-de-meia' - tal como em 'cor-de-rosa' (em contraste com 'cor de vinho' e 'cor de laranja') -, que mantém hífen por razões consagradas ao uso (por mais discutível ou variável que esta justificação possa ser).
      É o que dá haver expressões que acabam por já estar tão fixas que resultam em conceitos distintos dos termos que as compõem.

      ... e o tempo dirá em que pé tudo isto vai ficar.